Empresários do ônibus dizem operar 'no vermelho', mas não querem abrir mão da concessão bilionária
A menos de duas semanas da decisão que pode decretar a intervenção no Consórcio Guaicurus, documentos revelados pela concessionária dentro do processo administrativo mostram que os empresários do ônibus tiveram faturamento bruto de R$ 155.518.719,42 em 2025.
Apesar da cifra milionária, a concessionária que detém contrato de R$ 3,4 bilhões para explorar o transporte público de Campo Grande quer o reajuste da tarifa — ou seja, bilhete mais caro aos passageiros.
A barganha dos empresários do ônibus foi feita formalmente, dentro da peça de defesa apresentada no último dia do prazo pelo Consórcio Guaicurus dentro do processo que pode decretar a intervenção.
O relatório da Prefeitura apontou que a empresa não tem condições de continuar executando o serviço e identificou diversas falhas contratuais do Consórcio.
Apesar de afirmar operar no vermelho e ser acusado há anos de manter uma frota sucateada, o Consórcio Guaicurus apela para continuar com a concessão e promete 100 novos ônibus para não perder o contrato.
O número, no entanto, é metade do que a concessionária deveria substituir. Isso porque, em janeiro deste ano, o município notificou o Consórcio a tirar imediatamente 197 veículos velhos das ruas, com idade que já ultrapassou em muito o limite estipulado no contrato de concessão.
A troca, porém, não aconteceu, e usuários continuam relatando problemas diariamente devido a falhas apresentadas pela frota sucateada.
O Consórcio Guaicurus possui 460 ônibus na sua frota, sendo que 197 (42%) estão com idade acima do limite estipulado no contrato. No começo do contrato, em 2012, eram 574 veículos nas ruas.













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