A estratégia inicial de Reinaldo parecia simples e eficaz: trazer o adversário para perto. Ao aceitar a filiação de Contar ao PL, o ex-governador buscava neutralizar uma ameaça que já havia enfrentado em 2022, quando Contar disputou o segundo turno contra Riedel.
O bloco governista de Mato Grosso do Sul, liderado por Reinaldo Azambuja (PL) e Eduardo Riedel (PSDB), enfrenta nos próximos meses um desafio tão delicado quanto estratégico: decidir o que fazer com Capitão Contar, nome que se consolidou como uma verdadeira “pedra no sapato” da base aliada.
A estratégia inicial de Reinaldo parecia simples e eficaz: trazer o adversário para perto. Ao aceitar a filiação de Contar ao PL, o ex-governador buscava neutralizar uma ameaça que já havia enfrentado em 2022, quando Contar disputou o segundo turno contra Riedel. O movimento, porém, pode ter saído mais caro do que o esperado e colocado em risco a vaga ao Senado que muitos davam como certa para Azambuja.
Pesquisa acende alerta
Há alguns meses, Reinaldo liderava as pesquisas para o Senado com folga. O cenário, no entanto, mudou. Levantamento recente do Instituto Ranking mostrou o ex-governador ainda na liderança, mas tecnicamente empatado com Capitão Contar e Nelsinho Trad (PSD). O sinal de alerta, porém, acendeu com mais força no chamado “segundo voto” — o recorte que mede a preferência do eleitorado além da primeira opção. Nesse quesito, Reinaldo amarga a terceira posição.
“Fui para o sacrifício”
Aliados próximos lembram que Reinaldo nunca escondeu que sua ida para o PL tinha um objetivo claro: pavimentar o caminho para a reeleição de Eduardo Riedel. Ao confirmar a troca de partido para colegas do PSDB, chegou a usar a frase: “Estou indo para o sacrifício”. O que ele não esperava era correr o risco de, literalmente, ser empurrado para o sacrifício político dentro da própria legenda.
Nos bastidores, parte do grupo governista defende uma solução intermediária: convencer Contar a disputar uma vaga de deputado federal, abrindo mão da candidatura ao Senado. O plano, porém, esbarra na articulação do próprio Contar, que já pressiona o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, para ser um dos nomes do partido na corrida ao Senado.
Janela partidária e risco de debandada
A janela partidária, que vai até o início de abril, adiciona ainda mais tensão ao cenário. Caso não tenha seu nome confirmado, Contar pode deixar o PL e buscar outra legenda para viabilizar sua candidatura ao Senado. O movimento poderia desencadear uma debandada: João Henrique (PL) e Marcos Pollon (PL) também ameaçam sair caso não tenham espaço para concorrer a cargos majoritários.
Se esse cenário se concretizar, o grupo governista passaria a enfrentar os bolsonaristas em campo aberto — mas, desta vez, sem o risco de fogo amigo dentro da própria trincheira.
A aposta de risco
Há ainda quem cogite uma jogada mais ousada: acenar com a vaga para Contar, mas recuar após o fim da janela partidária, quando ele já não poderia mais trocar de partido. A estratégia, no entanto, é vista como uma declaração de guerra — e com potencial para estilhaçar de vez a relação entre as alas do partido.
Por ora, uma única certeza parece pairar sobre os bastidores da política sul-mato-grossense: a novela envolvendo Reinaldo, Contar e o PL está longe de um desfecho. E os próximos capítulos prometem ser tão turbulentos quanto decisivos para o rumo da eleição.











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