Autarquia alega risco à segurança do Estado para manter sigilo e contraria declarações anteriores do próprio presidente do BC.
O Banco Central do Brasil recusou-se a fornecer detalhes sobre encontros realizados entre seu presidente, Gabriel Galípolo, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, envolvendo tratativas relacionadas ao caso do Banco Master. A justificativa apresentada foi a existência de possíveis ameaças à segurança do Estado e da sociedade.
A negativa foi dada em resposta a pedidos baseados na Lei de Acesso à Informação (LAI), apresentados com apoio da ONG Fiquem Sabendo. O Banco Central afirmou que não mantém registros oficiais de reuniões entre seu presidente e autoridades superiores, tampouco listas de datas, horários ou conteúdos das conversas — mesmo quando os encontros tratam de temas sensíveis de interesse público.
A posição da autarquia, contudo, contrasta com declarações feitas pelo próprio Galípolo em dezembro de 2025. Na ocasião, o presidente do BC afirmou publicamente que “todas as reuniões, mensagens e comunicações relacionadas ao caso Master foram documentadas”, o que levanta questionamentos sobre a coerência institucional da resposta agora apresentada.
Segundo informações divulgadas anteriormente, Moraes teria procurado Galípolo ao menos quatro vezes para tratar de interesses do Banco Master, cuja tentativa de venda de ativos ao Banco de Brasília (BRB) dependia de aval do Banco Central. A operação acabou vetada pela diretoria da autarquia em setembro do ano passado.
O episódio ganha maior sensibilidade pelo fato de que, durante o período das tratativas, o escritório da advogada Viviane Barci, esposa de Moraes, mantinha um contrato de aproximadamente R$ 129 milhões com o banco controlado por Daniel Vorcaro, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões ao longo de três anos, sem detalhamento público das causas ou processos vinculados aos serviços prestados.
O Banco Central também negou informações sobre eventuais interações entre Galípolo e ministros do STF, integrantes do governo Lula, parlamentares ou membros externos durante reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) entre março e dezembro de 2025. A autarquia limitou-se a afirmar que o colegiado é composto apenas por seus integrantes formais.
A justificativa adicional apresentada pelo BC foi a aplicação, à época, da Lei Magnitsky pelo governo dos Estados Unidos contra Alexandre de Moraes, medida posteriormente revogada pelo presidente Donald Trump. Para a autoridade monetária, o episódio reforçaria a necessidade de resguardar informações sensíveis.











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