Grupo de 20 a 30 homens armados invadiu unidade policial durante a noite; autoridades investigam autoria do atentado.

Ataque a posto policial no Paraguai deixa três mortos e um policial ferido

Um ataque armado contra um posto da Polícia Nacional do Paraguai deixou três mortos e um policial ferido na noite de terça-feira (21), na Colônia Naranjito, distrito de Ybyrarobaná, no Departamento de Canindeyú. As autoridades paraguaias investigam a autoria da ação, que pode ter sido praticada por um grupo criminoso organizado que atua na região.

De acordo com o Ministério Público do Paraguai, entre 20 e 30 homens fortemente armados invadiram a unidade policial por volta das 23h. Segundo o promotor Óscar Paredes, os criminosos chegaram a pé e começaram a atirar assim que entraram no local, impedindo qualquer reação dos policiais.

No ataque morreram os suboficiais Herminio Ojeda González, de 33 anos, e Atilio Martínez Barrios, de 40 anos. Também foi morto Josemar Escobar Piris, de 37 anos, secretário civil que prestava apoio aos policiais na unidade.

O único sobrevivente foi o suboficial Víctor Gavilán, de 47 anos. Conforme o promotor, ele estava em uma viatura quando foi atingido de raspão por um disparo. Para escapar dos criminosos, o policial fingiu estar morto e, posteriormente, conseguiu deixar o local em meio ao incêndio provocado pelos atacantes, refugiando-se em uma área de mata.

Inicialmente atendido em uma unidade de saúde da região, Gavilán foi transferido para o Hospital da Polícia, em Assunção. Segundo as autoridades, ele permanece internado, consciente e em estado estável.

Após executarem os ocupantes do posto policial, os criminosos incendiaram a estrutura utilizando coquetéis molotov. Quatro veículos também foram destruídos pelas chamas: uma viatura da Polícia Nacional da marca Chevrolet, uma caminhonete Toyota Hilux, um automóvel Toyota Premio e um veículo Hyundai. Os dois últimos estavam sem placas, conforme informações da investigação.

As primeiras apurações apontam que o grupo saiu de uma área de pastagem localizada em frente ao posto policial, às margens da rodovia PY03, cerca de 60 quilômetros de Curuguaty. Um dos policiais sobreviventes relatou que os criminosos falavam em guarani, utilizavam roupas camufladas, botas e portavam armamento de grosso calibre. Antes da fuga, eles teriam deixado dois veículos estacionados a poucos metros da unidade.

O promotor Óscar Paredes afirmou que as investigações estão em andamento e que ainda não foi possível identificar o grupo responsável pelo atentado.

"Estamos reunindo todas as provas e realizando as diligências para esclarecer os fatos e identificar com precisão qual grupo criminoso praticou o ataque, porque infelizmente há várias organizações criminosas atuando naquela região", declarou.

As autoridades não descartam que o atentado tenha sido cometido por integrantes do autodenominado Exército do Povo Paraguaio (EPP) ou por criminosos ligados ao grupo liderado por Felipe Santiago Acosta, conhecido pelo apelido de "Macho", apontado pelas forças de segurança como uma das principais lideranças do crime organizado na região de fronteira.

A Polícia Nacional e o Ministério Público seguem realizando perícias no local e intensificaram as buscas para localizar os responsáveis pelo ataque.