Etanol ajuda a limitar queda do preço do milho.
Segundo a análise “Direto do Campo”, da Grainsights, produzida pela Grão Direto nesta segunda-feira (10), a demanda global pelo milho dos Estados Unidos mostrou sinais de força na última semana. O USDA confirmou vendas de exportação, incluindo lotes destinados ao México, principal comprador da commodity norte-americana. A manutenção do fluxo de embarques ajudou a estabelecer um piso para as cotações diante das estimativas de uma safra recorde.
No Brasil, o avanço da colheita da safrinha em Mato Grosso foi o principal fator de pressão sobre os preços domésticos. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), as máquinas já haviam colhido mais de 90% da área cultivada no estado. O ritmo acelerado aumentou a oferta de milho no mercado físico em um curto período, ampliando a pressão sobre as cotações.
As usinas de etanol de milho, por outro lado, continuaram atuando como um fator de sustentação para os preços no Centro-Oeste. Segundo a análise, a alta global do petróleo e a boa paridade dos biocombustíveis mantiveram as biorrefinarias com ordens de compra em Mato Grosso e Goiás, absorvendo parte do excedente gerado pela colheita da safrinha.
No mercado externo, a competitividade da Argentina dificultou o avanço das vendas brasileiras. A colheita de milho no país vizinho caminha para um recorde de 71,5 milhões de toneladas na safra 2025/26. Com maior disponibilidade do cereal, as tradings instaladas no porto de Rosário conseguiram oferecer lotes a preços FOB mais baixos ao mercado asiático, aumentando a concorrência com o produto brasileiro.
De acordo com a Inteligência de Mercado da Grão Direto, Grainsights, o milho spot em Chicago terminou a semana com queda de 0,23%. No Brasil, o contrato da B3 com a mesma referência também recuou e fechou a R$ 68,82 por saca, uma queda de 0,55% na semana. No mercado físico, a referência para o Sul Goiano encerrou o período em R$ 52,29 por saca.
O cenário mostra um mercado dividido entre fatores de sustentação e pressão. Enquanto as exportações norte-americanas e a demanda das usinas de etanol ajudam a limitar as perdas, o avanço da colheita em Mato Grosso e a maior competitividade da Argentina aumentam a oferta e dificultam uma reação mais consistente dos preços do milho.













Olá, deixe seu comentário!Logar-se!