Decisão reconhece dependência da ferrovia para escoar produção da fábrica em Inocência.

Arauco obtém registro que protege transporte de celulose até Santos
Modelo de vagão que será usado no serviço ferroviário de Arauco. / Foto: Divulgação.

A futura fábrica de celulose da Arauco, em Inocência, obteve o registro de usuária dependente do transporte ferroviário de cargas para escoar a produção até o Porto de Santos, em São Paulo. A decisão da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), publicada no DOU (Diário Oficial da União) desta quarta-feira (7), abrange o atendimento ao Projeto Sucuriú pelas concessionárias RMN (Rumo Malha Norte) e RMP (Rumo Malha Paulista).

A futura fábrica de celulose da Arauco, em Inocência (MS), obteve da ANTT o registro de usuária dependente do transporte ferroviário para escoar a produção até o Porto de Santos. A decisão, publicada no Diário Oficial da União, envolve as concessionárias Rumo Malha Norte e Rumo Malha Paulista e impede a redução unilateral do serviço sem aval da agência. A Arauco já recebeu os primeiros 40 de 721 vagões encomendados. O Projeto Sucuriú, de R$ 25 bilhões, prevê operação em 2027.
O registro reconhece que o serviço ferroviário é indispensável à viabilidade do negócio e estabelece proteção para o fluxo de cargas cadastrado. Segundo as regras da ANTT, as concessionárias devem disponibilizar serviços adequados e suficientes para atender à demanda registrada, que não pode ser reduzida ou interrompida unilateralmente sem autorização prévia da agência.

Assinada pelo superintendente de Transporte Ferroviário, Fernando Barbelli Feitosa, em 17 de setembro, a decisão entrou em vigor com a publicação. O documento define Inocência como origem do trecho e um TUP (Terminal de Uso Privado) dedicado, localizado na Alemoa, no Porto de Santos, como destino. O registro trata do transporte de cargas, sem anunciar a conclusão do ramal ou o início da operação.

A medida se soma à preparação da estrutura logística da indústria. Em agosto, o Campo Grande News mostrou que a Arauco havia recebido os primeiros 40 vagões de uma encomenda de 721 unidades à Randon. Os equipamentos serão utilizados para transportar a produção estimada em 3,5 milhões de toneladas de celulose por ano, destinada praticamente toda à exportação.

Conforme as informações divulgadas à época, os vagões são fabricados em Araraquara (SP), no interior paulista, com previsão de entregas mensais de 40 unidades até novembro de 2027. Cada equipamento pode transportar 98 toneladas de carga, o equivalente a mais de 390 fardos de celulose.

O modelo escolhido, Sider FLT, foi adaptado para a operação da Arauco. A abertura lateral permite carregar e descarregar pelos dois lados. Os vagões também possuem lonas com tramas de aço antivandalismo, divisórias internas e componentes desenvolvidos para reduzir a absorção de umidade durante o trajeto.

O planejamento logístico inclui um ramal para conectar a fábrica à malha ferroviária utilizada no transporte até Santos. Segundo o cronograma informado na reportagem de agosto, a estrutura tem previsão de entrar em operação em 2027 e capacidade para substituir até 190 viagens de caminhões por dia.

Estimado em R$ 25 bilhões, o Projeto Sucuriú está em implantação em Inocência, a 331 quilômetros de Campo Grande. As projeções divulgadas para o empreendimento incluem cerca de mil empregos diretos na unidade industrial, além de 2 mil postos ligados à logística e aproximadamente 3 mil às atividades florestais.