Com a alteração, a prova prática para a CNH passa a ser realizada exclusivamente em percurso

Erro na baliza está entre os principais motivos de eliminação. / Foto: (Reprodução, Detran-MS)

Considerada a principal causa de reprovação na prova prática do Detran-MS, a baliza não será mais obrigatória para quem pretende tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação). A mudança está prevista na portaria publicada nesta terça-feira (20), que estabelece novos critérios para o exame prático de direção veicular em Mato Grosso do Sul. Com a alteração, a avaliação passa a ser realizada exclusivamente em percurso.

Até então, a baliza liderava as reprovações na categoria B (automóveis), segundo levantamento realizado pelo Detran em 2025. Entre os erros mais frequentes, estavam avançar sobre o balizamento demarcado ao posicionar o veículo na vaga e não conseguir estacionar dentro da área delimitada em até três tentativas, no tempo máximo de cinco minutos.

Na categoria A (motocicletas), os erros que mais eliminam candidatos incluem colocar um ou ambos os pés no chão com o veículo em movimento, descumprir o percurso previamente estabelecido e iniciar a prova sem o capacete corretamente ajustado à cabeça ou sem viseira ou óculos de proteção.

Antes da mudança, o candidato podia perder, no máximo, três pontos durante o percurso do exame prático. Ao atingir o quarto ponto ou cometer uma falta eliminatória, ele era automaticamente reprovado. O sistema de pontuação atribuía três pontos para erros graves, dois para erros médios e um para erros leves. Com a mudança, o candidato inicia a prova com nota zero e pode somar até 10 infrações durante o percurso.

Confira as mudanças:

As novas regras passam a valer a partir de 26 de janeiro de 2026 e seguem as diretrizes do Contran (Conselho Nacional de Trânsito) e o programa CNH do Brasil. Agora, o exame prático terá duração mínima de 10 minutos e deverá incluir, obrigatoriamente:

Seis conversões à esquerda;

Seis conversões à direita;

Três estacionamentos laterais;

Percurso em linha reta de, no mínimo, mil metros, para avaliação de troca de marchas e controle do veículo;

Dois retornos, inclusive em canteiro central, quando possível.

Com a alteração, a etapa de baliza, considerada um dos maiores desafios do exame prático, deixa de ser obrigatória. A avaliação passa a ser realizada exclusivamente em percurso.

As provas para veículos de quatro rodas continuam sendo realizadas em vias públicas urbanas ou rurais, pavimentadas ou não. Além disso, em municípios com mais de um bairro autorizado para o percurso, a definição do local ocorre por sorteio, como em Campo Grande.

Comissão examinadora

A banca terá três servidores efetivos do Detran-MS, sendo exigido que ao menos um deles possua habilitação igual ou superior à categoria pretendida pelo candidato.

O veículo utilizado na prova deve atender integralmente às exigências do CTB (Código de Trânsito Brasileiro), isso inclui equipamentos obrigatórios em pleno funcionamento, como cintos de segurança, airbags e iluminação adequada, conforme estabelecido na legislação.

Pontuação

O candidato inicia a prova com nota zero, que aumenta conforme as infrações cometidas durante o percurso. A pontuação segue a gravidade da infração:

Leve: 1 ponto;

Média: 2 pontos;

Grave: 4 pontos;

Gravíssima: 6 pontos.

Estará aprovado o candidato que somar até 10 pontos ao fim do exame. A decisão final cabe exclusivamente à comissão examinadora. Além disso, o resultado e as infrações registradas estarão disponíveis para consulta no Portal de Serviços do Detran-MS em até 24 horas após a prova.

Eliminação

O exame poderá ser classificado como “não concluído”, sem atribuição de nota, caso o candidato demonstre incapacidade técnica para condução segura ou apresente instabilidade emocional durante a avaliação. Conforme o decreto, nesses casos, será necessário novo agendamento.

A eliminação imediata ocorre em situações como tentativa de fraude, desrespeito, desacato ou desobediência à autoridade do examinador, independentemente da categoria pretendida.

Regras específicas para motocicletas

Para a categoria A, o exame segue um plano de execução com manobras como “zero”, zigue-zague, curvas em “L”, rotatória em “8” e rampa. Durante toda a prova, o candidato não pode colocar os pés no chão, derrubar cones ou perder o controle do veículo.

O uso de capacete certificado, com viseira ou óculos de proteção aprovados pelo Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), é obrigatório. O circuito deve contar com cones padronizados conforme normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).

Em 2024, o Detran-MS registrou mais de 114 mil candidatos no exame prático em busca da primeira habilitação. Desse total, 37.860 concorreram à CNH na categoria A (motocicletas) e 76.199 na categoria B (automóveis). O índice de aprovação foi de 61,7% na categoria A e de 49,6% na categoria B