Religiosas deixam espaço no Vilas Boas por endereço mais acessível, onde terão capela e ampliarão atendimentos.

Um dia de freira tem muita oração, trabalho e despertador às 5h25
Freiras da congregação Escravas de Maria, Rainha da Paz, dividem a rotina entre orações e trabalhos comunitários. / Foto: Juliano Almeida.

As freiras da congregação Escravas de Maria, Rainha da Paz, em Campo Grande, começam o dia às 5h25 e dividem a rotina entre orações, estudos, artesanato e ajuda a famílias carentes. Elas constroem um convento em região central, com capela aberta aos fiéis, para ampliar o acesso da população, hoje dificultado pela sede no Bairro Vilas Boas. A obra é financiada por feiras e doações, e a inauguração está prevista para dezembro de 2026.
O despertador toca às 5h25, quando boa parte de Campo Grande ainda está dormindo. Para as freiras da congregação Escravas de Maria, Rainha da Paz, é o início de uma rotina que vai muito além das orações. Entre estudos, produção de terços, atendimento a famílias carentes e participação em feiras, as religiosas dividem o tempo para manter as atividades da comunidade. Agora, elas se preparam para uma nova fase, com a construção de um convento em uma região mais central da Capital.

A mudança pretende aproximar as irmãs da população. Atualmente, parte das atividades ocorre no Bairro Vilas Boas, em um espaço considerado distante e de difícil acesso. O novo endereço terá uma capela aberta à participação dos fiéis e estrutura para ampliar os trabalhos religiosos e sociais desenvolvidos pela congregação.

Quem acompanha as freiras durante as celebrações religiosas dificilmente imagina a quantidade de tarefas que fazem parte do cotidiano delas. A madre superiora Joana D'Arc de Jesus e a irmã Maria Madalena explicam que a rotina começa antes das 6h, quando as religiosas se preparam para entrar na capela e iniciar as primeiras orações.

O dia inclui o Ângelus, oração tradicionalmente realizada às 6h, ao meio-dia e às 18h. As irmãs também participam de momentos de meditação, rezam o terço e fazem leituras religiosas. Parte dessas atividades é aberta à comunidade, que pode acompanhar as orações.

Mas a vida no convento não se resume à espiritualidade. Depois do café da manhã, as religiosas dedicam parte do tempo aos estudos e à formação religiosa. Na sequência, começam os trabalhos que ajudam a manter a congregação e atender a população.

A madre Joana é responsável por organizar as atividades, orientar as noviças e postulantes, além de coordenar os trabalhos de catequese, música e assistência às famílias.

A irmã Maria Madalena do Sagrado Coração de Jesus e Maria, que também é médica e ocupa a função de vice-madre, participa dos atendimentos e da produção de preparados naturais por meio de um trabalho conhecido como farmácia viva. Ela também atua na catequese de adolescentes e adultos.

As freiras dedicam outra parte da rotina à produção artesanal. Elas confeccionam terços, pintam imagens religiosas e preparam materiais vendidos em feiras, como as do Rita Vieira e da Bolívia. O dinheiro arrecadado contribui para a manutenção das atividades e para a construção do novo convento.

As irmãs também prestam auxílio a famílias em situação de necessidade. Segundo a madre superiora, o atendimento é direcionado principalmente a pessoas cadastradas, com dificuldades financeiras ou problemas de saúde. Quando recebem doações de alimentos e outros produtos, as irmãs organizam a distribuição conforme as necessidades identificadas.

Novo endereço – A construção do convento representa uma tentativa de tornar esse trabalho mais acessível. A congregação já possui uma sede em uma chácara, mas a distância dificultava a participação da população nas atividades.

A madre Joana conta que a decisão de construir um novo espaço surgiu de conversas entre as religiosas. O objetivo é permitir que mais pessoas tenham acesso aos atendimentos, às atividades de formação e aos momentos de oração.

“Essa é a grande mudança que nós estamos fazendo, lá do Vilas Boas para cá, mais para o centro, para poder atender as pessoas. Fica um local fácil, porque todo mundo consegue pegar um ônibus”, explica.

Ela também destaca as condições de acesso. Diferentemente do endereço anterior, o novo espaço fica em uma rua asfaltada, o que deve facilitar a chegada de idosos, famílias e pessoas que dependem do transporte coletivo.

A mudança também está relacionada à missão da congregação. As Escravas de Maria não vivem em clausura, regime religioso em que as integrantes permanecem recolhidas no convento. Como desenvolvem atividades apostólicas, as irmãs precisam sair para atender a comunidade.

“A gente, como é de vida apostólica, sai. A gente tem que fazer. Por isso decidimos que lá estava parecendo mais vida de clausura, pelo local muito afastado. Aqui vamos conseguir fazer o nosso trabalho bem melhor”, afirma a superiora.

Capela aberta à comunidade – O novo convento terá uma capela destinada às orações das religiosas e à participação da população. Diferentemente de uma paróquia, o espaço será voltado principalmente aos momentos de espiritualidade, contemplação e orientação religiosa.

A expectativa apresentada pela madre é de que a capela seja concluída em aproximadamente 1 mês a 1 mês e meio. A construção começou anteriormente, mas os trabalhos ganharam mais intensidade neste ano. Ainda há etapas a finalizar.

Segundo Joana, a intenção é oferecer um ambiente onde as pessoas possam fazer uma pausa na rotina, inclusive durante o horário de almoço.

“As pessoas hoje vivem muito sobre estresse, muito serviço, muita correria. Elas podem vir aqui, ficar em contemplação, em silêncio, porque a gente precisa disso”, explica.

O espaço também deverá receber atividades de catequese, formação religiosa e outras ações desenvolvidas pela congregação.

As freiras também oferecem a oportunidade de passar um dia no convento e conhecer de perto a rotina religiosa. Durante a visita, os participantes podem aprender a confeccionar terços e chaveirinhos, cozinhar, preparar remédios naturais e participar dos momentos de oração.

“Você pode aprender a fazer terços, pode aprender a cozinhar, fazer coisas diferentes, remédios, né? Então é um dia assim muito diferente”, conta a madre Joana. Para participar, é necessário agendar a visita diretamente com a congregação. “Tem que falar com nós para marcar, porque senão chega muita gente. Então venha passar um dia com as freiras. Tomar um café, fazer terço, chaveirinho, rezar. Rezar é importante”, convida.

Para quem tem dúvidas, elas explicam que não é preciso abandonar a profissão para seguir a vida de freira. As freiras também exercem diferentes atividades e profissões. A irmã Maria Madalena, por exemplo, é médica e usa seus conhecimentos para atender pessoas e ajudar na produção de remédios naturais. A congregação também desenvolve trabalhos com música, catequese e artesanato.

“Eu sou médica também, aí também ajudo na parte da farmácia viva, na produção de remédios mais naturais. Atendo algumas pessoas que precisam”, conta a irmã Maria Madalena. Para quem tem dúvidas sobre seguir a vida religiosa, conhecer a rotina do convento pode ser uma oportunidade de descobrir uma possível vocação. As interessadas podem procurar as religiosas para conversar e saber mais sobre a formação oferecida pela congregação.

A madre Joana explica que existe uma diferença entre profissão e vocação religiosa. Enquanto as freiras de clausura vivem recolhidas no convento, as de vida apostólica participam de atividades externas, fazem visitas, desenvolvem projetos sociais e atendem a comunidade. Isso significa que uma mulher não precisa necessariamente abandonar sua profissão para seguir a vida religiosa, pois pode usar seus conhecimentos no trabalho desenvolvido pela congregação.

 “A gente, como é de vida apostólica, sai. A gente tem que fazer”, explica a madre. Segundo ela, profissões como medicina e atividades ligadas à educação e à música podem fazer parte dessa missão.

Enquanto a obra avança, as freiras continuam dividindo os dias entre orações, tarefas domésticas, produção artesanal e atendimento à comunidade. A arrecadação das feiras e as contribuições de benfeitores ajudam a financiar a construção. Elas afirmam que a previsão para a inauguração da sede é para dezembro de 2026, antes do Natal.