ONG afirma sofrer tentativas de deslegitimação, cita acusações sem provas e pede respeito à atuação independente da sociedade civil.
A Transparência Internacional afirmou que sua unidade no Brasil enfrenta uma “escalada de assédio” promovida por integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A denúncia foi feita pelo secretariado global da organização, sediado em Berlim, que classificou como preocupantes declarações públicas que buscam deslegitimar o trabalho da entidade por meio de acusações sem comprovação e alegações de motivação política.
Em nota oficial, a ONG afirma que “seu capítulo brasileiro está enfrentando uma escalada de assédio vinda de membros do governo brasileiro”, em contraste com o discurso público do próprio Planalto, que costuma defender o papel das organizações da sociedade civil na formulação de políticas públicas, na governança democrática e na prevenção da corrupção — especialmente em programas que envolvem grandes volumes de investimentos públicos.
Segundo a Transparência Internacional, a unidade brasileira participa de iniciativas governamentais e de debates sobre políticas públicas e mecanismos de controle institucional, sempre com recomendações baseadas em evidências técnicas e foco na proteção dos recursos públicos. Para a entidade, os ataques recentes comprometem o ambiente democrático e fragilizam a fiscalização independente do Estado.
O presidente do Conselho Global da organização, François Valérian, manifestou apoio explícito ao braço brasileiro e pediu que o governo cesse o que classificou como assédio institucional. Ele defendeu que organizações da sociedade civil tenham liberdade para exercer análise crítica e independente, sem sofrer retaliações políticas.
A nota também menciona declarações recentes de um integrante do governo segundo as quais a Transparência Internacional – Brasil estaria sendo investigada pela Polícia Federal. De acordo com a ONG, não há qualquer registro público dessa investigação, tampouco notificação formal ou documentação oficial enviada à entidade. Diante disso, a organização informou ter encaminhado cartas ao ministro da Casa Civil, Rui Costa, e a outros ministros, solicitando esclarecimentos formais.
O comunicado recorda ainda que, em outubro, a Transparência Internacional já havia reagido a ataques semelhantes, após autoridades do alto escalão do Judiciário brasileiro repetirem publicamente alegações consideradas infundadas pela entidade sobre seu financiamento e suas atividades no país.
A organização também relembrou sua posição crítica em relação à atuação do Supremo Tribunal Federal. Em agosto, a Transparência Internacional questionou a decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na avaliação da ONG, a medida se baseou em “fundamentos jurídicos frágeis”, sustentados por uma suposta violação de uma “proibição genérica de comunicação”.
Para a Transparência Internacional, a decisão de Moraes “parece configurar uma tentativa de silenciamento incompatível com o Estado de Direito”, reforçando, segundo a entidade, a necessidade de vigilância constante sobre abusos institucionais e a preservação das garantias fundamentais.











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