Família afirma que policiais atiraram nas costas de Wellington dos Santos Vieira, mas o laudo contradiz o relato

Tiro pela frente: laudo contradiz versão da família sobre morte em ocorrência da PM

O laudo necroscópico do corpo de Wellington dos Santos Vieira contradiz a versão da família sobre o tiro que o matou durante abordagem da PM (Polícia Militar). Ele morreu na madrugada do dia 31, em Anastácio, a 123 quilômetros de Campo Grande. Familiares dizem que os policiais atiraram por trás.

Na quarta-feira (1º), os policiais envolvidos na morte foram afastados da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul). Já na sexta (3), dois militares foram presos após pedido da Corregedoria-Geral da PMMS.

Trecho do confronto foi registrado por câmeras de segurança e reforça a versão dos familiares de que Wellington foi atingido pelas costas.


 

No entando, o resultado do exame necroscópico obtido pelo Jornal Midiamax revela que o rapaz sofreu fratura de base de crânio provocada por disparo de projétil de arma de fogo. O exame descreve “ferida perfurocontusa na região mandibular esquerda”, ou seja, no rosto.

Além disso, o laudo aponta que o projétil seguiu em direção à base do crânio, com trajeto horizontalizado, e está alojado na região carotidiana à direita — o lado direito do pescoço.

Desde o confronto, um familiar de Wellington também acusa os militares de tentarem intimidar a mãe do rapaz, que estava vendo a ação pela janela. “A minha mãe viu o seu filho morrer por covardia dos policiais, não precisava ter atirado. Ele não reagiu, ele apenas correu da polícia”, afirmou o parente.

Associação manifesta repúdio e pede revogação de prisão
A Aspra-MS (Associação dos Praças da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar do Mato Grosso do Sul) manifestou apoio aos militares nas redes sociais.

“Os militares estavam em serviço, em defesa da sociedade, e agiram em contexto de risco real, atual e iminente, com fortes elementos de legítima defesa e estrito cumprimento do dever legal”, diz a Aspra-MS.

Em nota, a associação manifestou repúdio e informou que o jurídico já pediu a revogação da prisão. A Aspra-MS afirma que a prisão é injusta e desproporcional.

“O Jurídico da ASPRA-MS já protocolou pedido de revogação da prisão e seguirá atuando firmemente na defesa do associado e na reparação dessa injustiça. Quem combate o crime não pode ser condenado por recortes parciais dos fatos. Justiça para os militares!”, descreve a nota.

Prisão temporária de policiais
Na noite de sexta-feira (3), a PMMS informou, em nota, que, durante o IPM (Inquérito Policial Militar), a Corregedoria-Geral pediu pela prisão dos militares. A solicitação foi concedida pela Justiça, que decretou a prisão temporária dos militares envolvidos.

“A medida foi requerida após rigorosa análise técnico-jurídica dos elementos de prova colhidos, fundamentando-se na necessidade de resguardar a ordem pública e assegurar a integridade e a lisura das investigações em curso”, explicou a corporação.

Após a prisão, a dupla foi encaminhada ao PME (Presídio Militar Estadual), localizado em Campo Grande. “A PMMS reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a responsabilização, assegurando que os fatos serão apurados com rigor, isenção e respeito às normas do Estado Democrático de Direito”, ressaltou a corporação.