Crise no Oriente Médio preocupa setor agrícola.

Tensões no Oriente Médio elevam risco para fertilizantes fosfatados no Brasil
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O ressurgimento das tensões no Oriente Médio pode agravar o cenário de oferta de fertilizantes fosfatados no Brasil nas próximas semanas, segundo avaliação da StoneX. Para a consultoria, a redução da navegação pelo Estreito de Ormuz, após a interrupção das tratativas de paz entre Estados Unidos e Irã, aumenta o risco de dificuldades logísticas justamente em um momento de importações reduzidas desses produtos pelo mercado brasileiro.

De acordo com Tomás Pernías, analista de Inteligência de Mercado da StoneX, a situação representa um sinal de alerta para quem depende desses insumos. "O ressurgimento das tensões no Oriente Médio é uma má notícia para os compradores de fertilizantes fosfatados no Brasil. Há indicações de que a navegação pelo Estreito de Ormuz diminuiu desde que as tratativas de paz entre os EUA e o Irã foram interrompidas. Caso as dificuldades logísticas persistam, a oferta desse segmento poderá voltar a diminuir nas próximas semanas", afirmou.

O analista destaca que as importações brasileiras de MAP, um dos fertilizantes fosfatados mais utilizados no país, somaram, entre janeiro e junho de 2026, volume 24% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado. Segundo a StoneX, ao considerar também as compras de TSP e SSP, o volume acumulado de fosfato importado está entre os menores dos últimos anos. "Isso significa que, caso os importadores brasileiros não acelerem o ritmo de compras nas próximas semanas, a oferta reduzida de fosfatados poderá se tornar um problema para o mercado brasileiro", ressaltou Pernías.

Outro fator que pressiona o segmento é a oferta limitada de enxofre, matéria-prima utilizada na produção de fertilizantes fosfatados. Conforme levantamento da StoneX, as importações brasileiras do produto recuaram 42% entre janeiro e junho na comparação com igual período de 2025. A consultoria atribui esse movimento tanto à menor disponibilidade do insumo no mercado internacional quanto ao avanço dos preços. Entre o fim de fevereiro e o início de julho, as cotações do enxofre no Brasil subiram 127%, ultrapassando US$ 1.000 por tonelada.

Segundo Pernías, o aumento dos custos já provoca reflexos na indústria de fertilizantes. "Diante dos custos elevados para a produção de fosfatados, grandes fabricantes de fertilizantes no Brasil e em outros países reduziram suas taxas de utilização e, em alguns casos, interromperam linhas de produção. Um exemplo recente é o de uma multinacional do setor, com atuação no Brasil, que anunciou, nos últimos dias, uma redução em sua produção de fosfatados", destacou.

Na avaliação da StoneX, o mercado de fosfatados segue em situação diferente da observada para os fertilizantes nitrogenados. "Portanto, ao contrário dos nitrogenados, cujos preços recuaram significativamente nas últimas semanas em função das relações de troca pouco atrativas e da demanda enfraquecida, o mercado de fosfatados já apresentava menor espaço para correções. Agora, com o ressurgimento das tensões e a falta de uma solução para a escassez global de enxofre, esse cenário desafiador tende a persistir no curto prazo", concluiu o analista.