Mãe desconfia que homem conseguiu contato da garota por meio das redes sociais.
Um homem ainda não identificado vem perseguindo uma criança de 10 anos há cerca de três dias, em Campo Grande. O assédio foi revelado pela garota após ela receber diversas ligações e chamadas de vídeo de cunho pornográfico dezenas de vezes ao dia.
Foi durante um almoço, nesta terça-feira (25), que a garota contou à família na mesa que recebia diversas chamadas de um homem desconhecido. O assediador dizia ainda, via telefone, que queria se encontrar com a criança, mas não era para ela falar para ninguém, caso contrário “ficaria ruim para ela”, pois seria sequestrada.
Com medo, a vítima bloqueou o número do suspeito. Na mesma tarde, a garota deixou o aparelho celular carregando em casa e saiu com a madrinha. Na volta, as duas contaram 17 ligações de um número privado. Por volta das 18h30, uma chamada de vídeo foi solicitada e a responsável pela criança atendeu à ligação.
“Quando aceitei a chamada, apareceu só as partes íntimas e ele se masturbando. Ele ainda perguntou porque ela tinha bloqueado ele, dizia que amava e queria beijar ela. Fiquei com muita raiva, xinguei e desliguei a ligação”, relatou a mulher.
O homem contou para a criança que tinha conseguido o celular dela com uma “amiguinha”, mas o DDD 85 levanta a suspeita dos familiares.
“Achamos que ele pegou o número dela em alguma rede social ou jogo online. Esses pedófilos fazem isso. Ele chamava ela pelo nome, mas não acredito que algum conhecido tenha passado o contato.”
Ainda de acordo com a mãe, o homem é adulto, branco e magro. “A voz dele também não é de criança. Já é de adulto.”
O caso foi registrado na DEPCA (delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao adolescente) e segue em investigação.
Acompanhamento
Com a invasão tecnológica nas residências, abriu-se um espaço maior para que pedófilos e estupradores tivessem acesso facilitado às crianças e adolescentes. Especialistas alertam para que os pais acompanhem o conteúdo acessado pelos filhos menores de idade.
Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da organização não governamental Safernet, Thiago Tavares, diz que a melhor estratégia continua sendo o diálogo, a conversa franca e a relação de confiança que deve existir entre pais e filhos.
“Da mesma forma que você conversa com seus filhos sobre os riscos que existem ao sair na rua, na escola, no cinema, você diz para ele não aceitar bala de estranhos, você também deve orientá-lo em relação ao uso seguro da internet”, diz.
Ele recomenda também o uso de versões customizadas de sites e aplicativos, que selecionam o conteúdo apropriado para crianças.
Orientação
Você pode começar a ensinar cuidados desde cedo, usando uma linguagem simples que a criança entenda. A criança está constantemente se relacionando com seu próprio corpo desde que nasce e essa orientação faz parte de uma educação que vai além da prevenção da pedofilia.
Oriente e monitore o uso da internet: À medida que as crianças ficam mais velhas, é possível ter conversas mais complexas e até mais diretas. É preciso orientar as crianças e adolescentes sobre o que postar nas redes sociais, chats, e também monitorar os sites. É fundamental que os responsáveis não deixem as crianças completamente sozinhas por muito tempo diante do computador.
Tenha cuidado com o que você posta: Além de ser um conteúdo que pode ser usado de forma imprópria por agressores, fotos e vídeos de crianças comuns nas redes sociais de pais e mães podem gerar outros problemas. Dependendo do conteúdo, este material pode ser interpretado como disseminação de conteúdo pornográfico infantil.
Crie um ambiente de segurança em casa: A criança precisa se sentir completamente segura dentro de casa para comunicar algo que esteja errado, seja um caso de bullying ou uma agressão sexual. Escute a criança, dê atenção, estimule a conversa, mantenha o canal de comunicação sempre aberto para que ela possa confiar em você.
Ajude a criança a identificar pessoas confiáveis: Converse com a criança e crie junto com ela uma lista de pessoas em que ela pode confiar e também quais os limites.
Cobre a participação da escola: A escola é uma parceira fundamental nessa educação e deve incluir esta orientação nas suas aulas. Assim como em casa, a escola deve oferecer um ambiente de amor, cuidados, atenção e respeito.
Empodere a criança: Frequentemente predadores escolhem crianças e adolescentes que eles podem manipular. Além de todos os passos acima, é preciso assegurar a criança de que ela vai receber ajuda se pedir, de que ela pode dizer “não” a algo que as deixe desconfortáveis.
Denuncie: Qualquer tipo de conduta ou conteúdo impróprio deve ser denunciado para punir os ofensores e evitar que outras pessoas sejam vítimas.













Olá, deixe seu comentário!Logar-se!