Entidade esclarece que mobilização em Bodoquena foi uma reação espontânea da comunidade e cobra diálogo, clareza sobre restrições e respeito ao direito de propriedade.

Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena emite Nota de Repúdio contra modelo de consulta do ICMBio para o REVIS Delta do Salobra
Entidade esclarece que mobilização em Bodoquena foi uma reação espontânea da comunidade e cobra diálogo, clareza sobre restrições e respeito ao direito de propriedade. / Foto: Assessoria de Imprensa

REGIÃO PANTANEIRA – O Sindicato Rural de Miranda e Bodoquena publicou uma Nota de Repúdio oficial criticando a condução, por parte do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do processo de criação do Refúgio de Vida Silvestre (REVIS) Delta do Salobra. A proposta prevê uma unidade de conservação de mais de 60 mil hectares englobando terras nos municípios de Miranda, Bodoquena e Corumbá.

Mobilização Espontânea e Cancelamento
O sindicato esclareceu que não organizou ou convocou a mobilização de produtores rurais ocorrida na audiência pública do último dia 17 de junho, no auditório da Prefeitura de Bodoquena. Segundo a nota, a presença massiva de proprietários, trabalhadores e famílias locais foi uma reação espontânea da população afetada pela falta de diálogo sobre o projeto.

A entidade também rechaçou qualquer tentativa de responsabilizar os produtores pelo cancelamento da consulta pública. Conforme ofício emitido pela própria Prefeitura de Bodoquena, a suspensão do ato ocorreu exclusivamente por motivos de segurança devido à superlotação do espaço.

Incertezas sobre o Futuro da Produção
O ponto central do manifesto é a falta de respostas concretas do ICMBio sobre os impactos práticos na região. Embora o órgão federal afirme que o modelo de REVIS permite a manutenção de terras privadas e de atividades consideradas compatíveis, os produtores temem restrições futuras severas ligadas a:

  • Uso e manejo da terra;
  • Ampliação de atividades e novos investimentos;
  • Acesso ao crédito rural e licenciamento ambiental;
  • Garantia do direito de propriedade.

O sindicato enfatizou que a categoria não se opõe à preservação ambiental, destacando que os produtores locais já cumprem rigorosamente a legislação brasileira, mantendo nascentes, matas ciliares e reservas legais há décadas.

Impacto Econômico Regional
A nota conclui alertando que a instituição de uma reserva dessa magnitude afeta toda a cadeia econômica regional — incluindo fornecedores, transportadores e prestadores de serviços. O Sindicato Rural reafirmou seu compromisso com a segurança jurídica e a produção sustentável, defendendo que qualquer iniciativa de conservação seja construída de forma transparente e democrática com a comunidade local.