Com dívidas acumulando e sem previsão de reabertura, casas noturnas estão sobrevivendo de economias e sofrendo com crise.
Sem data para reabertura, as casas noturnas de Campo Grande estão sobrevivendo apenas de economias. Já são quase dois meses de portas fechadas, desde que o coronavírus se espalhou pela cidade, em março deste ano. A situação é preocupante, já que as contas não param de acumular e não existe entrada de dinheiro, nem mesmo apoio do poder público para que esses locais não sejam obrigados a encerrar as atividades.
Na Capital, desde que o isolamento social começou, o Twist Bar, na Rua Antônio Maria Coelho e as casas de baile Bom d+ e Clube da Amizade, encerraram as atividades. O medo dos empresários é que isso se estenda para mais casas noturnas.
“Estamos apenas com nosso fluxo de caixa e usando as economias próprias. Por não receber nenhum auxílio, ficamos preocupados quanto ao que nos espera, pois as contas não foram amortecidas de nenhuma maneira e para um estabelecimento como o nosso funcionar, existem custos a serem pagos”, diz Alessandro Veiga, proprietário da Daza.
A boate existe há sete anos e está localizada no Centro da cidade. O empresário relata que tem consciência da pandemia e, justamente por isso, mantém as portas fechadas. “Sou completamente a favor da quarentena. Mas, não é justo nosso negócio ser esquecido pelas autoridades porque estamos sendo cobrados por todas as contas, como se tivéssemos abertos”.
Por isso, Alessandro insiste no apoio durante esse momento de incerteza, até mesmo para não ser obrigado a encerrar as atividades. “São sete anos que, em menos de três meses, podem não existir mais”, declara. “Não deixem a gente sem auxílio, pois muitas pessoas trabalham aqui. É um ponto de entretenimento da cidade, atende vários jovens que estão à procura de diversão com segurança”.
O cenário não é favorável e, enquanto a boate fica às moscas, o proprietário ainda tem que se preocupar manter a papelada de funcionamento do espaço em dia. “Daqui a pouco tem que renovar os alvarás e quero saber se existirá alguma ajuda quanto isso?”, questiona.
O suporte não é apenas para que as boates continuem, mas também para que a Capital não perca ainda mais os pontos de diversão. “Precisamos de ajuda para que a cidade não se torne tão interiorana, a ponto de não existir mais casas noturnas, como acredito que acontecerá em breve. É questão de tempo para começar a surgir mais casos de fechamento”, afirma Alessandro.
Ivan Torres é proprietário do Blues Bar há seis anos. É lá que a galera do rock and roll se encontra e assiste apresentações de bandas renomadas do Estado. A casa que é palco também de eventos beneficentes está de mãos atadas.
“É desesperador, já tem mais de dois meses fechado. Algumas contas, conseguimos renegociar, mas outras não. Os shows foram adiados, até fizemos uma campanha para venda de ingressos antecipados, porém não temos nenhuma previsão. Dependemos de algum decreto. Não sabemos até quando vamos segurar esse rojão, no entanto, temos esperança que não demore muito”, fala Ivan.
O Blues funcionava de quarta a sábado e a expectativa é manter os mesmos dias quando tudo voltar ao normal. “Vamos ver como vai ser a volta, se vai ter alguma regra ou não”, comenta o proprietário.













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