Pai e mãe trouxeram cultura para perto do filho quando ele ainda era pequeno, por isso, ele ousou em fazer novas escolhas

Sávio trocou Engenharia pela dança e ganhou de presente um grande amor no tango
Depois de largar Engenharia Civil e Educação Física, Sávio decidiu dançar, encontrou grande amor e se apaixonou por tango. / Foto: Arquivo Pessoal

Sávio terminou o Ensino Médio e entrou na faculdade como muitos: perdido. O conteúdo que ouvia em sala no curso de Engenharia Civil não era bem o que imaginava. Quando tentou encarar Educação Física, teve o mesmo sentimento. A vida só mudou quando ele decidiu largar tudo e arriscar por um sonho: a dança. 

“Terminou a escola e pensei: vou fazer o que da vida? Comecei Engenharia, mas não aguentei, depois fui arriscar Educação Física, mas não suportei nenhum semestre. Como eu tinha ainda a nota do Enem que estava no último ano, decidi tentar a faculdade de dança em Brasília. Passei e fui selecionado, desde então a vida mudou”, explica o campo-grandense Sávio Menezes, aos 25 anos.

Hoje as redes sociais de Sávio é puro ritmo. Da dança de salão a dança contemporânea, os movimentos fazem parte do dia a dia como trabalho e também diversão. Mas foi na dança que ele descobriu a felicidade e também um grande amor. “Na dança conheci a Anna, hoje, estamos casados, somos professores e ainda foi ela quem me ensinou verdadeiramente o tango”, explica.

Mas as escolhas foram feitas no passado graças aos pais de Sávio que sempre motivaram o filho para a cultura. “Tudo começou como meu pai e minha mãe que faziam teatro. Eu lembro que comecei aos 6 anos enchendo o saco para eles fazerem uma peça pra gente atuar em família. Ele acabou fazendo e viajamos o Estado juntos”.

Ainda que inseridos no mundo cultural, os pais deixaram claro ao filho que a vida no teatro ou na dança não era moleza. “Meus pais sempre me apoiaram, mas como conheciam o mundo da arte, mostravam que tudo tem o lado bom e o lado ruim, e que viver de dança não é algo fácil e nem sempre é um trabalho que pessoas levam a sério, afinal, as pessoas ainda não valorizam integralmente a cultura no País”.

Sávio terminou a faculdade de dança em 2016 e entrou para uma academia de balé. “Até então só fazia aula, mas no mesmo eles me chamaram para fazer parte da turma de bailarinos, que é a companhia ‘Duo Cia de Dança’ onde estou hoje. Foi nela que encontrei Anna que me ensinou a dançar tango”.
 
Juntos encararam as aulas de tango e hoje são professores. “A dança de salão é um trabalho para mim, vivo disso. Quando eu e Anna saímos, as pessoas se questionam porque não queremos dançar, mas é que esse é o nosso trabalho. Por isso, eu uso a dança contemporânea para dançar sem ter aquele compromisso como professor, eu brinco que é a minha cachaça”.

Hoje, Sávio diz ser um homem feliz com as escolhas que fez. “Essa influência dos meus pais de serem artistas acabou me empurrando para arte, diferentemente do meu irmão que tem outra profissão. Mas eu me sinto feliz de ter sido picado pelo mosquitinho da cultura. Toda minha trajetória é no meio artístico e devo muito isso a Campo Grande”.

Recentemente, Sávio estava nos noticiários como integrante da companhia de dança brasiliense que estreou um espetáculo baseado no sertão nordestino. “Raxo do Céu” conta a trajetória de Dito. Ele, um menino-homem sertanejo com bastante fé, descobre que cada escolha da vida é responsável por determinada consequência. A trama foi pensada pelo coreógrafo da companhia de dança Rodrigo Mena Barreto.

Embora a carreira esteja consolidada em Brasília, Sávio não nega a saudade de casa. “Vou para Campo Grande uma vez por ano descansar, tirar aquela semaninha de férias que o mundo artístico não tem. Mas é que eu adoro essa minha cidade, justamente pela simplicidade dela”.