Endividamento saltou 10,2 pontos do PIB desde o fim de 2022, atinge maior nível desde 2021 e volta a se aproximar do recorde registrado durante a pandemia.
As contas públicas brasileiras voltaram a um patamar que não era visto desde a pandemia da Covid-19. A dívida bruta do setor público chegou a R$ 10,8 trilhões em junho de 2026, equivalente a 81,9% do PIB, e retrata a deterioração do endividamento durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O salto é expressivo. Em dezembro de 2022, último mês do governo Jair Bolsonaro (PL), a dívida representava 71,7% do PIB. Desde então, avançou 10,2 pontos percentuais, segundo dados do BC (Banco Central).
O avanço da dívida ocorre em meio à pressão dos gastos públicos e à busca do governo do PT por mais arrecadação para fechar as contas.
Desde o início do terceiro mandato, a equipe econômica anunciou ou aprovou medidas de aumento, retomada ou criação de tributos e mudanças em benefícios fiscais, enquanto enfrenta dificuldades para cumprir as metas fiscais.
O período também tem sido marcado por críticas ao crescimento das despesas, questionamentos sobre a eficiência do gasto público e controvérsias envolvendo o uso de recursos federais, ampliando o debate sobre a capacidade do governo de controlar o endividamento.
Com isso, o Brasil registra agora a maior proporção da dívida desde abril de 2021 e novamente se aproxima do pico histórico de 87,6% do PIB, registrado em outubro de 2020.
Naquela ocasião, porém, o país atravessava a fase mais crítica da pandemia de Covid-19, com gastos extraordinários para enfrentar a emergência sanitária e seus impactos econômicos.
O cenário atual ocorre sem uma crise sanitária daquela dimensão e em meio à dificuldade do governo de equilibrar receitas e despesas. O déficit nominal acumulado em 12 meses até junho chegou a 9,99% do PIB.
A perspectiva para os próximos anos também aumenta a pressão sobre as contas públicas. A IFI (Instituição Fiscal Independente), ligada ao Senado, projeta que a dívida termine 2026 em 82,5% do PIB.
Se a trajetória projetada pelo órgão se mantiver, a dívida brasileira poderá atingir o equivalente a 100% do PIB em 2032. Para 2036, a estimativa chega a 115% do PIB, colocando o país diante de um endividamento ainda mais distante dos níveis registrados antes da pandemia.
Nível elevado dos juros
Entre os fatores apontados para a pressão sobre as contas públicas estão o crescimento moderado da economia, o nível elevado dos juros e a falta de poupança pública. O país caminha para completar 13 anos consecutivos de déficit primário em 2026.
O resultado nominal também foi afetado pelo pagamento antecipado de precatórios, que aumentou temporariamente as despesas, enquanto medidas de ajuste fiscal adotadas anteriormente incluem o programa conduzido por Joaquim Levy em 2015, o teto de gastos do governo Michel Temer e alterações tributárias implementadas durante a gestão de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda.













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