Bancada do PT exige explicação pública sobre verba articulada por Verruck à entidade investigada

‘Resposta deve ser à população’: Gleice critica reunião fechada para tratar de R$ 7 milhões à Fiems

A deputada Gleice Jane (PT) considerou insuficiente a proposta de convidar o secretário Artur Falcette, da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), para explicações acerca dos R$ 7 milhões destinados à Fiems (Federação das Indústrias de MS). Na visão da parlamentar, “quando se trata de dinheiro público, a resposta deve ser à população e não aos deputados”.

Ao Jornal Midiamax, a petista — que compôs a força-tarefa para exigir esclarecimentos sobre o repasses milionários à federação investigada por contratos suspeitos — diz que a reunião à portas-fechadas proposta pelo presidente da Alems (Assembleia Legislativa de MS), deputado Gerson Claro, deveria ser substituída por um pronunciamento na tribuna da Casa de Leis.

“Nos parece muito que é recurso que não é para prestar conta. E em vésperas de eleição, a gente fica pensando se isso é recurso eleitoral”, argumenta.

 
 

Segundo a deputada, a manobra da base governista para derrubar o requerimento infringe a lei de transparência.

“O recurso é do povo. Era um requerimento simples, não era um requerimento absurdo ou que fizesse questionamentos fora da regra. Requerimentos de informação sobre os recursos destinados a uma entidade privada. É uma prerrogativa da Casa aprovar ou não, mas não aprovar um requerimento que pede informações sobre questões básicas de recurso, às vésperas da eleição, demonstra que a população precisa ficar de olho e acompanhar o que está acontecendo aqui na Assembleia Legislativa”, alertou a deputada.

Depois de blindas Fiems, Gerson quer reunião só com deputados
Gleice Jane foi autora de um primeiro requerimento de informação, destinado à CNI (Confederação Nacional das Indústrias), barrado pelo presidente da Alems. Naquela iniciativa, a parlamentar cobrava informações sobre repasses e contratos da federação, implicada numa investigação do MPMS por contratos suspeitos firmados pela gestão de Sérgio Longen. O empresário comanda a Fiems há quase duas décadas e está com as contas bancárias bloqueadas após ser alvo de operação da Polícia Federal por suspeitas de irregularidades no Sesi.

Para barrar o requerimento da deputada, Gerson Claro afirmou que a Alems não teria competência para cobrar o órgão nacional. Mas, diante do repasse de R$ 7 milhões para a Fiems, via pasta da gestão estadual, o deputado precisou apelar à liderança do governo, representada pelo decano Londres Machado (PP). O parlamentar apresentou pedido de vistas ao requerimento de Kemp na quarta-feira (22) e ontem liderou uma mobilização entre os governistas para derrubada da iniciativa.

Antes da votação, Gerson disse que independente do resultado, iria buscar o secretário Artur Falcette para uma agenda na sala da presidência, à portas-fechadas, com os deputados estaduais. Na visão dos deputados do PT e de João Henrique Catan (Novo), a medida blinda a pasta e compromete o direito de fiscalização dos deputados.