Mais de 300 sul-mato-grossenses já registraram a intenção de doar órgãos pelo serviço desde 2024; no país, mais de 49 mil pessoas aguardam por um transplante.

Quer ser doador de órgãos? Veja como registrar sua vontade pela internet
Doação de órgãos pode ser registrada pela internet em MS. / Foto: Reprodução.

Quem deseja ser doador de órgãos pode registrar a intenção pela internet, de forma gratuita, por meio da Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO). O serviço permite formalizar a vontade de doar e indicar quais órgãos, tecidos ou partes do corpo a pessoa deseja disponibilizar para transplante.

Em Mato Grosso do Sul, 380 pessoas fizeram o registro desde o lançamento da ferramenta, em 2024. Foram 275 solicitações naquele ano, 76 em 2025 e outras 29 em 2026, segundo os dados mais recentes da plataforma.

A AEDO foi criada pelo Colégio Notarial do Brasil – Conselho Federal (CNB/CF), por meio da plataforma e-Notariado, e regulamentada nacionalmente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O procedimento pode ser feito de casa, sem a necessidade de comparecer a um Cartório de Notas.

Mais de 49 mil pessoas aguardam transplante
 
O serviço está disponível em um cenário de alta demanda por transplantes no país. Dados do Ministério da Saúde divulgados neste mês apontam que mais de 49 mil pessoas aguardam atualmente por um transplante no Brasil. Cerca de 45 mil estão na fila por um rim.

Entre os pacientes que aguardam um transplante de córnea, são 37.719 pessoas, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO). O número é 15% maior que o registrado em dezembro de 2025.
Outro desafio para a doação é a autorização da família. No Brasil, a retirada de órgãos após a morte depende da concordância dos familiares, mesmo quando a pessoa manifestou em vida o desejo de ser doadora.
 
A taxa média de recusa familiar está em torno de 45%. Entre os motivos apontados estão o desconhecimento da vontade do potencial doador e dúvidas ou receios sobre o procedimento.
Conforme o presidente do Colégio Notarial do Brasil - Seccional Mato Grosso do Sul, Elder Dutra, é nesse ponto que a AEDO busca contribuir, ao deixar registrada a decisão da pessoa.

“A principal contribuição da AEDO é permitir que uma intenção muitas vezes expressada apenas verbalmente fique documentada. Em Mato Grosso do Sul, cada nova autorização também funciona como um convite para que o tema seja discutido de maneira clara entre o potencial doador e sua família”, afirma.