Entre técnicas e trabalho em equipe, lembrar que é humano também faz parte

Quem cuida de quem salva? Os bastidores e o drama de cada resgate dos Bombeiros em MS

A rotina de quem veste a farda do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul começa muito antes da chegada ao local do acidente. Ela ganha forma assim que o alarme do quartel dispara, nas ruas movimentadas ou não, é esse o som responsável pelo pedido de passagem no trânsito. E é assim que é ditado diariamente o trabalho de bombeiros militares. Cada segundo no trânsito é uma linha tênue, isto é, quase imperceptível, entre a vida e a morte de quem espera.

Nesta reportagem especial do Jornal Midiamax em alusão à campanha Maio Amarelo, cinco militares falam sobre a rotina nos quartéis e nas ruas. Enquanto quatro bombeiros narram o desafio de atuar em situações sob pressão, a comandante do 1° Grupamento de Bombeiros expõe a complexidade da gestão operacional e as barreiras para equilibrar saúde mental e qualidade nos atendimentos.

‘Tudo começa com a empatia’
Embora os bombeiros militares sejam preparados para atuar em caso de pressão absoluta, muitos afirmam que nunca é uma situação fácil. Isso porque diariamente esses profissionais são colocados em situações em que, na maioria das vezes, são exigidas habilidades para além da técnica aprendida em um curso.


 

Há dois anos na corporação, o médico e Tenente Lucas Guerra, de 34 anos, atua na viatura da Ursa (Unidade de Resgate e Serviço Avançado) e afirmou que é preciso entender a dor do outro.

“Estamos lá para salvar vidas […] Nunca é uma situação fácil; precisamos ter empatia também com os familiares da vítima. É preciso entender a dor do outro, a gente tenta passar a mensagem de conforto”, explicou.

 
 

Quem cuida de quem cuida?

Diante do cenário diário de acidentes que muitas vezes resultam em óbitos, a pergunta que fica é: Quem cuida de quem cuida? Isso porque situações como essas influenciam diretamente a questão psicológica de cada bombeiro militar.

Preocupados em acolher familiares de vítimas ao mesmo tempo em que tentam salvar uma vida, muitos se apegam a atalhos para evitar adoecer.