Unidades de saúde de Campo Grande não têm materiais de limpeza e higiene, como desinfetantes e papel higiênico, suficientes para a manutenção.

Prefeitura paga R$ 19 mi, mas empresa deixa postos sem papel higiênico e funcionários sem passe
Faltam materiais básicos de limpeza e higiene das unidades de saúde. / Foto: Divulgação.

Unidades de saúde de Campo Grande não têm materiais de limpeza e higiene, como desinfetantes e papel higiênico, suficientes para a manutenção. Os funcionários dessas unidades, não contam nem com passe de ônibus para ir e vir do trabalho. Mas a empresa responsável por tudo isso, a Produserv, recebeu R$ 19,1 milhões da Prefeitura de Campo Grande, entre janeiro e setembro de 2026.

A empresa foi responsável pela limpeza e manutenção das unidades de saúde da Capital entre 2020 e 2026, com contrato milionário, que terminou em abril. A Produserv segue prestando o serviço e recebendo por isso, além de travar judicialmente a licitação que visa a contratação de nova empresa para o serviço.

O Jacaré acompanha o caso e recentemente recebeu denúncias sobre as condições de trabalho em que os funcionários da Produserv são submetidos. Entre a jornada exaustiva de trabalho, devido a falta de mão de obra e de produtos adequados para a limpeza, falta também passe de ônibus para ir e vir do serviço.

Apesar de não receberem a quantidade de passes suficientes para um mês de trabalho, como determina a lei trabalhistas, os funcionários pagam por isso. Mensalmente é descontado R$ 99 referente ao vale transporte do salário dos trabalhadores, de R$ 1.485,90.

A Produserv recarrega os passes aos poucos, o que é contra a lei. E os funcionários ficam em situação extremamente complicada, ter que tirar dinheiro do bolso para ir trabalhar ou faltar e ter o dia descontado.

Também precisam fazer milagre com o que recebem de material de limpeza, que a Produserv passa meses sem entregar. Em muitas unidades de saúde nem tem papel higiênico, enquanto o contrato com a prefeitura prevê rolos de folha dupla.

Prefeitura não vê irregularidades
A situação do serviço prestado pela Produserv foi alvo de denúncia do Conselho Municipal de Saúde, em maio deste ano. Passados seis meses, a gestão Adriane Lopes (PP) não encontrou irregularidades do serviço e, na época, minimizou as denúncias.

Novamente questionados sobre o péssimo serviço prestado para o pagamento milionário que recebe, a prefeitura afirma em nota, que “mantém acompanhamento e fiscalização contínuos, com realização de visitas técnicas às unidades, monitoramento dos serviços e apuração de eventuais inconformidades. As medidas incluem ainda o aprimoramento dos mecanismos de controle e rastreabilidade das solicitações, análise de possíveis glosas e encaminhamento à Controladoria do Município para apuração dos aspectos relacionados à execução contratual”.

Dos R$ 19,1 milhões que a Produserv recebeu este ano, conforme dados da Transparência Municipal, quase R$ 6 milhões são referentes a serviços prestados em ano anterior. O total do montante foi pago com recursos do Fundo Municipal de Saúde.

A empresa carioca Integral Construtora e Empreendimentos venceu a licitação para assumir o serviço, mas a Produserv conseguiu liminar na justiça para impedir que homologação do contrato.

A Produserv foi questionada sobre as denúncias, não respondeu, mas o espaço segue aberto ao posicionamento.