Ciclo pecuário, abate elevado de fêmeas e cenário externo pressionam valores da carne.
A pecuária de corte brasileira caminha para um cenário de alta nos preços da carne em 2026, impulsionado principalmente pela redução da oferta de animais no mercado. Segundo especialistas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), o movimento faz parte do chamado ciclo pecuário, fenômeno que ocorre, em média, a cada seis anos, quando a relação entre oferta e demanda provoca oscilações nos preços do boi gordo e dos derivados.
Um dos principais fatores que explicam essa tendência é o elevado abate de fêmeas registrado desde 2022, intensificado ao longo de 2025. Dados do IBGE indicam que, no acumulado do último ano, cerca de 43% dos bovinos abatidos no país foram vacas e novilhas, um percentual considerado alto para a manutenção dos plantéis reprodutivos. Esse cenário reduz a oferta de bezerros nos anos seguintes, pressionando os preços e afetando toda a cadeia produtiva.
De acordo com o coordenador de Pecuária da Emater-MG, Marcelo Martins, os reflexos já começaram a ser sentidos, com valorização do preço dos bezerros em 2025 e perspectiva de aumento entre 30% e 35% até o fim de 2026. Para o boi gordo, a expectativa é que a arroba, que encerrou 2025 em média a R$ 315, possa alcançar valores entre R$ 380 e R$ 400 ao final de 2026, especialmente no segundo semestre, quando a oferta tende a ser ainda mais restrita.
Além dos fatores internos, o mercado externo também influencia o cenário. A decisão da China de impor uma sobretaxa de 55% sobre as exportações que ultrapassarem a cota anual de 1,106 milhão de toneladas pode afetar o desempenho brasileiro nos próximos três anos. Apesar disso, especialistas avaliam que 2026 e 2027 devem ser anos favoráveis ao produtor, sobretudo para quem investir em manejo, nutrição e genética, buscando maior eficiência produtiva em um período de preços elevados.











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