Assistir sobe e desce dos aviões é um dos hobbies preferidos de quem mora na região

Localizado na região oeste da cidade, o bairro Serradinho – uma expansão do Nova Campo Grande, que começou a ser habitado ainda na década de 1950 – é um dos bairros mais antigos da Capital sul-mato-grossense e está a 1,5 quilômetro do Aeroporto Internacional de Campo Grande. Na região, há um hábito entre os moradores: assistir, de forma privilegiada, os pousos de decolagens dos aviões.
Até hoje ninguém sabe dizer ao certo como surgiu esse costume. Uma das hipóteses mais prováveis é a proximidade com o principal aeroporto da cidade. O interesse pelos aviões é tanto, que os moradores nem se incomodam com os barulhos das turbinas.
O Jornal Midiamax conta esta história dentro de seu novo projeto, o Fala Povo: Midiamax nos Bairros, que apresenta particularidades, problemas e personagens dos bairros de Campo Grande. Ao longo da programação, no site, impresso e televisivo Midiamax (canal 4 da Net), serão exibidas histórias de moradores, curiosidades, pontos gastronômicos, segurança e tudo o que envolve o cotidiano da população local.
Na segunda edição do Fala Povo: Midiamax nos Bairros, o programa será realizado na região da grande Nova Campo Grande, com evento final no dia 30 de agosto.
As reportagens são publicadas ao longo desta semana, 25 a 29 de agosto, culminando com uma edição do programa transmitida ao vivo da região, no sábado (30).
Avião partindo do Aeroporto Internacional de Campo Grande (Foto: Madu Livramento, Midiamax)
Seguindo pelas ruas do Serradinho – uma extensão do Nova Campo Grande – a reportagem encontrou a Poliana dos Santos, de 32 anos. Ela conta que quando se mudou para o bairro, uma década atrás, estranhava os barulhos das turbinas dos aviões. Com o passar do tempo, se acostumou e já não percebe o som dos motores das aeronaves.
“Já nos acostumamos. No começo foi mais difícil por causa do barulho, mas a gente já está morando aqui há dez anos, então, hoje em dia, a gente já nem percebe”, garante.
O que não se tornou comum para Poliana é a beleza que enxerga através dos pousos de decolagens. Para ela, cada chegada e cada partida, que movimenta o tráfego aéreo, é deslumbrante e desperta um sonho, impresso na lista de desejos: viajar de avião.
“É gostoso ver os aviões. O que mais me chama a atenção é a decolagem. Gosto de ver o avião subindo. É muito bom. Muita gente, assim como eu, nunca andou de avião, então a gente fica olhando e pensando: nossa, como será que é olhar lá de cima para baixo? Fico pensando nisso e sonhando”, explica.
Com poucas praças na região e outras opções de lazer, o gosto pelos aviões tornou-se comum entre os moradores do bairro. Fátima Divina de Almeida Santana, de 71 anos, mora no Serradinho há 62 anos. Ou seja, passou quase a vida toda no bairro. Viu o lugar crescer, se desenvolver e até mudar de nome.
Antes de ser Serradinho, o bairro era conhecido como Cachorro Morto. O título peculiar está relacionado às condições da região até então, recém habitada, quando quase tudo ainda era mato na Cidade Morena.
“Sou do tempo em que aqui não tinha nada e quase ninguém. Do tempo em que ainda era conhecido como Cachorro Morto, mas o bairro cresceu muito e eu continuo aqui apreciando as novidades. Agora tem até avião e eu gosto muito”, brinca.
Irmãs cresceram no bairro Serradinho, na região oeste de Campo Grande (Foto: Madu Livramento, Midiamax)
Assim como a irmã Fátima, Sueli Aparecida de Almeida Nunes, de 69 anos, também cresceu no Serradinho. Com o passar dos anos, se mudou, mas nunca deixou de vez o bairro e os costumes típicos de quem mora na região.
“Eu morei aqui por muito tempo até que me casei e mudei. Agora eu moro no Jardim Aeroporto, mas sempre estive pelo Serradinho porque meus irmãos moram aqui”, conta.
Sueli que nunca abandonou a região, também se habituou com os barulhos que anunciam as chegadas e partidas das aeronaves. “É bom, esse barulho do avião não perturba, eu gosto”, garante.
E assim como a maioria dos moradores do Serradinho – e de muitas outras regiões de Campo Grande – a ex-moradora também se rende aos passeios na orla para ver os aviões que sobem e descem ao longo de cada dia.
“Eu já fui na orla para ver os aviões e é muito bom. Eu gosto de ver as pessoas, de ver as crianças brincando, os aviões passando baixinho. É muito bom, é bonito. Nunca andei de avião, mas acho maravilhoso. Se desse tempo, todos os dias eu iria à orla só para ver os aviões”, afirma.
Apaixonado por avião, Waldir não se incomoda com barulho de pousos e decolagens (Foto: Madu Livramento, Midiamax)
Apaixonado por aviões, Waldir Silva Pires, de 78 anos, mora no Serradinho há pouco tempo, mas assegura: “o barulho não incomoda”. Aposentado, ele também gosta de aproveitar o tempo de lazer na orla do aeroporto.
“O pouso e a decolagem é tudo muito lindo de ver. Sou apaixonado por avião e ver de fora é diferente, então, quando posso vou ao aeroporto levar a pequena”, diz se referindo à neta Julia Pires, de 8 anos.
Assim como o avô, a pequenina também se alegra ao ver os aviões. “Eu amo porque é muito bonito ver a decolagem e também porque a orla é um lugar bom para a criança se divertir, é muito legal”, ressalta.
Orla do aeroporto é um dos passeios preferidos de Julia (Foto: Madu Livramento, Midiamax)
Tráfego aéreo em Campo Grande
Atualmente o Aeroporto Internacional de Campo Grande conta com três companhias aéreas: Azul, Gol e Latam. Os voos que saem da Capital seguem apenas dois destinos: Brasília e São Paulo. As decolagens começam ainda de madrugada, com a primeira partida por volta das 2h30.
Para quem quer assistir às decolagens, o ideal é o finalzinho da tarde, próximo das 17h20. Depois disso, tem outros dois voos que saem poucos depois das 19 horas. Para encerrar as partidas, tem um último avião que parte às 21h10 com destino à São Paulo.
Já as primeiras aeronaves a pousar em Campo Grande, chegam logo após às 9 horas e a programação segue. A partir das 16h30, quando começam as caminhadas na orla do aeroporto já possível ver ao menos um avião chegando. Depois disso, outra aeronave pousa próximo das 18h30. Um pouco mais tarde, em torno de 20h15 a cena se repete. Quem perdeu esses momentos, tem outras chances com três voos que chegam às 21h50, 22h15 e 22h30.
Mas e você? Já foi à orla do aeroporto para ver a movimentação do tráfego aéreo? Conta pra gente se você também é apaixonado pelo sobe e desce dos aviões.
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