Especialista analisa os desafios para se operar em terminais.
O escoamento da safra brasileira de grãos neste ano coloca a infraestrutura portuária sob teste. Com a projeção da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) de que os embarques de soja devem romper a barreira das 100 milhões de toneladas este ano, a operação nos terminais deixou de ser uma questão de volume para se tornar uma corrida por eficiência e preservação de margens.
Em um cenário onde a velocidade de escoamento define o sucesso da safra, a engenharia de fluxo surge como o diferencial estratégico para conectar a potência do campo aos exigentes mercados globais. Este movimento é impulsionado por um gargalo estrutural histórico: o país projeta uma produção de 360,1 milhões de toneladas para uma capacidade estática de apenas 233,8 milhões, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para Franklin Oliveira, diretor comercial da AGI Brasil e LATAM, uma das principais fornecedoras de soluções em armazenamento e movimentação de grãos no país, “essa realidade exige que os terminais portuários funcionem com precisão industrial, evitando que o acúmulo de carga resulte em perdas de qualidade ou travamentos logísticos”. Segundo o especialista, a engenharia especializada pode responder hoje a cinco desafios críticos que definem o lucro ou o prejuízo na ponta do embarque:
1. Blending de precisão durante o fluxo
Um dos desafios mais sensíveis para os terminais exportadores é o blending de grãos de diferentes qualidades para atingir especificações contratuais. Tradings frequentemente precisam compor cargas a partir de origens distintas, ajustando teor de proteína, umidade ou impurezas. Sem sistemas capazes de realizar mistura em tempo real durante o fluxo, a operação depende de processos manuais ou sequenciais, o que gera desvios de qualidade e perdas financeiras.
“Um dos maiores gaps financeiros nos portos é a entrega de carga fora do padrão contratual. A engenharia moderna permite misturar grãos de diferentes qualidades diretamente nas correias transportadoras. Isso evita que o terminal entregue um produto superior ao exigido sem receber prêmio por isso, ou que sofra descontos por qualidade inferior”, explica.
2. Versatilidade para o mercado de biocombustíveis (SAF)
A expansão global do combustível sustentável de aviação (SAF) começa a alterar também a lógica da infraestrutura portuária. Matérias-primas agrícolas destinadas à produção de biocombustíveis possuem densidades, granulometrias e comportamentos de fluxo diferentes dos grãos tradicionais.
“A crescente demanda por matérias-primas para o combustível sustentável de aviação (SAF) exige que os terminais lidem com subprodutos de diferentes densidades. Essa flexibilidade será um fator competitivo nos próximos anos. É preciso desenvolver sistemas de transporte customizados que evitem entupimentos e garantam a mesma fluidez da soja para esses novos ativos energéticos”, comenta o executivo.
3. Controle da quebra técnica em longas esperas
Outro ponto crítico apontado pelo especialista é a permanência prolongada de grãos em terminais durante gargalos logísticos. Em períodos de fila de navios ou atrasos na programação de embarque, cargas podem permanecer armazenadas por períodos superiores ao planejado.
“Quando o grão fica parado no porto devido a atrasos logísticos, ele perde peso por respiração e calor. A tecnologia de aeração e termometria digital em silos portuários mantém o grão estável, garantindo que o volume despachado seja exatamente o mesmo que entrou, protegendo o ativo financeiro do cliente”, diz Franklin.
4. Eficiência energética em operações 24/7
Terminais portuários operam em regime contínuo. Correias transportadoras, elevadores, sistemas de carregamento e ventilação funcionam 24 horas por dia, tornando a energia elétrica um dos principais componentes de custo operacional.
“A eletricidade é um dos custos mais pesados dos terminais. O uso de inversores de frequência inteligentes nos equipamentos pode permitir que os motores operem conforme a demanda real de carga na correia. Isso reduz o pico de consumo e aumenta a vida útil dos componentes sob regime intenso”, afirma.
5. Silos como garantia bancária e rastreabilidade
A presença crescente de fundos de investimento no agronegócio, especialmente via Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagros), introduziu um novo nível de exigência sobre a gestão de ativos portuários. Para esses investidores, estruturas de armazenagem precisam operar com rastreabilidade comparável à de ativos financeiros.
Segundo Franklin, isso significa monitoramento contínuo de estoque, auditoria de volumes e rastreamento digital da movimentação de grãos. “Com a entrada dos Fiagros no financiamento de ativos, o silo portuário passou a ser auditado como um banco. A automação desses equipamentos com tecnologias como o BinManager®, oferece a rastreabilidade que investidores exigem para garantir o lastro das operações financeiras”, explica.
“E, para suportar esse ritmo, tecnologias como o HI Roller® consolidam-se como o padrão do setor. Ao eliminar a emissão de poeira e reduzir as paradas para manutenção, o sistema garante que o terminal opere no limite da sua capacidade nominal, transformando a engenharia de precisão na última fronteira de rentabilidade para o agronegócio brasileiro”, conclui o executivo.
Sobre a AGI Brasil
A AGI Brasil é uma das principais fornecedoras de soluções em armazenamento e movimentação de grãos no país. Com sede em Cândido Mota (SP), a companhia faz parte da AGI — Ag Growth International, referência global em equipamentos agrícolas e de infraestrutura, com presença em mais de 100 países. Seu portfólio inclui silos metálicos, sistemas de secagem, aeração e transporte de grãos, além de estruturas e soluções completas para pós-colheita. A AGI Brasil alia experiência local à expertise internacional, oferecendo tecnologia, confiabilidade e eficiência para apoiar a competitividade do agronegócio.













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