Justiça Federal marcou para ouvir testemunhas em fevereiro, juntamente com os interrogatórios dos réus

Policial do Garras e ex-guarda presos por desvio de contrabando serão ouvidos pela Justiça Federal
Augusto Torres Galvão Florindo, policial do Garras, durante interrogatório na PF; R$ 130 mil em propina de contrabando apreendida com ele. / Foto: (Reprodução, Processo e PF)

A Justiça Federal marcou para fevereiro o interrogatório do policial civil Augusto Torres Galvão Florindo, do ex-guarda Marcelo Raimundo da Silva e da esposa dele, Ana Claudia Olazar. Os três foram presos pela PF (Polícia Federal) no fim de novembro do ano passado, em um esquema de desvio de contrabando com pagamento de propina.

Conforme decisão da juíza Franscielle Martins Gomes Medeiros, da 5ª Vara Federal de Campo Grande, as testemunhas de acusação e defesa começam a ser ouvidas às 13h30 do dia 5 de fevereiro, ocasião em que dará início ao interrogatório dos réus.

As testemunhas que não puderem ser ouvidas no dia 5 serão ouvidas no dia 12, juntamente com os interrogatórios. Por fim, no dia 19, a Justiça Federal conclui os eventuais interrogatórios que restarem.

No início de janeiro, a Justiça Federal manteve a prisão do policial civil Augusto. O habeas corpus já havia sido negado no recesso forense e novamente rejeitado na volta dos trabalhos.

Denúncia de saque bancário levou ao flagrante
Em novembro de 2025, a PF de Três Lagoas recebeu uma denúncia anônima informando que, no dia 28, uma mulher realizaria um saque bancário em Campo Grande destinado ao pagamento de práticas ilícitas relacionadas aos crimes de descaminho.

Com isso, a polícia confirmou a informação e se deslocou até a Capital. Durante as diligências, a equipe da PF flagrou Marcelo e uma mulher indo até a agência bancária e saindo do local com uma sacola com dinheiro, na tarde do dia 28.

Então, os agentes seguiram o casal, até o momento em que Marcelo parou no estacionamento de um supermercado e estacionou ao lado de outro veículo, em que estava o oficial Augusto Torres Galvão.

Suspeitos confessaram
Durante o interrogatório, o ex-GCM Marcelo declarou que recebeu a orientação para entregar a quantia ao policial. A transação, segundo ele, tratava-se de um “pagamento de cigarros eletrônicos”.

Já Augusto não apresentou justificativa para o receber os valores, mas admitiu que o dinheiro é oriundo da venda de produtos contrabandeados, especialmente de mercadorias que os policiais apreenderam e, depois, desviaram.

Na delegacia, Marcelo revelou que participa de esquemas de contrabando e descaminho e já foi preso diversas vezes por esse motivo. Ele, inclusive, usa uma tornozeleira eletrônica por isso.

Augusto, policial do Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubos a Banco, Assaltos e Sequestros), afirmou que outros policiais civis também estão na empreitada delituosa, mas não quis identificá-los. Os dois poderão responder pelos crimes de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

Esquema de roubo de contrabando em MS
O depoimento do policial Augusto Torres Galvão Florindo, do Garras, reafirmou os casos de roubo de “muambas” ocorridos em Mato Grosso do Sul.

Durante o interrogatório na delegacia, o policial civil afirmou que estão ocorrendo roubos de mercadorias contrabandeadas e descaminhadas no território sul-mato-grossense. O último caso noticiado pelo Jornal Midiamax foi das “muambeiras” roubadas por homens armados — suspeitos de serem policiais — enquanto chegavam a Campo Grande.

Augusto fez a afirmação enquanto falava sobre a abordagem policial. Assim, ele contou que o contrabandista e ex-guarda municipal Marcelo Raimundo já havia sido vítima de criminosos. “Ele [Marcelo] já tinha sido roubado e ‘tá tendo’ muito roubo. Eu achei que era roubo”, falou.