Marco Rubio descreve etapas que passam por estabilização, recuperação e transição de poder.

Plano dos EUA para Venezuela tem três fases, diz secretário de Trump
EUA desenham plano em três etapas para redefinir o poder na Venezuela. / Foto: Fadel Senna / POOL / AFP

O governo dos Estados Unidos trabalha com uma estratégia dividida em três fases para lidar com a crise política e econômica da Venezuela, que inclui desde ações de estabilização até uma futura transição de poder. O plano foi apresentado nesta quarta-feira (7) pelo secretário de Estado, Marco Rubio, em declarações públicas sobre o novo direcionamento da política americana para o país sul-americano.

Segundo Marco Rubio, a primeira etapa do plano tem como objetivo evitar um cenário de colapso institucional e social na Venezuela. A proposta, de acordo com o secretário, busca impedir que a instabilidade se transforme em desordem generalizada, o que justificaria medidas de contenção no campo político e econômico.

Entre as ações mencionadas está o isolamento da Venezuela no mercado internacional de petróleo, com restrições à circulação do produto e à atuação de empresas ligadas ao atual regime. Rubio afirmou que parte da produção venezuelana poderá ser apreendida e comercializada sob controle norte-americano, com a promessa de que os recursos não sejam destinados ao grupo político que governa o país.

A segunda fase do plano envolve a recuperação econômica e a reabertura gradual do mercado venezuelano, com prioridade para empresas americanas e parceiros internacionais. De acordo com o secretário, a intenção é criar condições para a retomada da atividade produtiva e estimular investimentos externos, especialmente nos setores de energia e infraestrutura.

Nesse mesmo estágio, o governo dos EUA prevê incentivar um processo de reconciliação interna, com medidas voltadas à reinserção de grupos oposicionistas, liberação de presos políticos e reconstrução de instituições civis enfraquecidas ao longo dos últimos anos.

A terceira e última fase, segundo Rubio, seria a transição de poder. Embora não tenha detalhado os mecanismos políticos que sustentariam essa mudança, o secretário deixou claro que o objetivo final é o afastamento do chavismo do comando do país. Ele não mencionou prazos nem confirmou se o processo envolverá eleições diretas.

Desde a prisão do presidente Nicolás Maduro por forças norte-americanas no início de janeiro, o comando formal do governo venezuelano passou para a vice-presidente Delcy Rodríguez, que nega qualquer interferência externa na condução do país. Autoridades venezuelanas têm classificado o plano americano como uma tentativa de ingerência e reafirmam a soberania nacional.

O anúncio reforça o endurecimento da postura dos Estados Unidos em relação à Venezuela e amplia o debate internacional sobre os limites da intervenção externa em crises políticas internas, especialmente em uma região historicamente marcada por disputas de influência geopolítica.