Com uso de tecnologia de espectrometria e foco na BR-267, força-tarefa ataca o comércio clandestino de defensivos que ameaça a "Capital do Agro".
Maracaju, reconhecida nacionalmente como a "Capital do Agro" e detentora dos maiores índices de produção de soja e milho de Mato Grosso do Sul, foi o epicentro de uma das maiores ofensivas federais contra o crime ambiental e o contrabando de insumos agrícolas: a Operação Purgatio.
Deflagrada na quinta-feira (12/03), a ação conjunta entre a Polícia Federal, Receita Federal, Ibama e Ministério da Agricultura (Mapa) mobilizou dezenas de agentes para cumprir mandados em pontos nevrálgicos da cidade, visando estancar a entrada de venenos clandestinos que cruzam a fronteira com o Paraguai.
Incursão em Maracaju: Do escritório ao galpão
A operação em Maracaju não foi aleatória. Os agentes focaram no principal eixo logístico do município, a BR-267, na saída para Dourados. Uma grande empresa de produtos agrícolas foi o alvo central, onde foram apreendidos documentos, mídias eletrônicas e um estoque significativo de agrotóxicos sem qualquer registro sanitário.
A ofensiva em Maracaju se dividiu em três frentes principais:
- A Sede Agrícola: Onde o produto ilegal era supostamente armazenado e distribuído.
- Escritório de Contabilidade: Local onde os agentes buscaram o rastro financeiro do esquema, investigando como o dinheiro do contrabando era "lavado" na economia formal.
- Residências de Luxo: Buscas e apreensões em endereços vinculados aos sócios da empresa, visando identificar o patrimônio construído com o lucro do mercado negro.
Tecnologia SITRAR no Campo
Pela primeira vez em ações desta magnitude na região, o Mapa utilizou o SITRAR (Sistema de Triagem Rápida de Agrotóxicos). Durante as buscas nos galpões em Maracaju, os técnicos utilizaram espectrômetros portáteis que permitiram identificar, em poucos segundos, a composição química dos produtos.
Muitos dos galões encontrados continham substâncias trazidas da China e falsificadas no Paraguai, com ingredientes ativos proibidos ou em concentrações que representam um risco letal aos lençóis freáticos da nossa região e à saúde do trabalhador rural.
O Custo da Ilegalidade para Maracaju
Como Maracaju é a vitrine do agronegócio sul-mato-grossense, as autoridades enfatizaram que o mercado ilegal, que movimenta R$ 21 bilhões anualmente no Brasil, prejudica diretamente o produtor honesto.
Concorrência Desleal: O agrotóxico contrabandeado chega a custar uma fração do produto legalizado, destruindo o comércio regular de insumos na cidade.
Risco de Barreira Comercial: A utilização de produtos proibidos pode gerar embargos internacionais aos grãos produzidos em Maracaju, afetando toda a economia local.
Desdobramentos
Todo o material apreendido, que incluiu desde documentos contábeis até bens de alto valor e uma lancha, foi encaminhado para perícia. A Polícia Federal agora trabalha para identificar se o esquema em Maracaju possui conexões com outras quadrilhas de contrabando de armas e drogas, dada a similaridade das rotas utilizadas na fronteira.
As investigações continuam, e novos mandados não estão descartados para as próximas semanas.












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