Escolher quem governará o país exige olhar além da propaganda e considerar as necessidades de toda a população.

O Brasil que sairá das urnas começa na responsabilidade de cada voto
Voto consciente exige examinar o passado dos candidatos, a viabilidade das propostas e o compromisso com as necessidades dos brasileiros. / Foto: Campo Grande News.

No domingo, 25 de outubro, 158,7 milhões de brasileiros estarão aptos a escolher quem ocupará a Presidência da República pelos próximos quatro anos. Poucos segundos diante da urna ajudarão a definir as condições de vida de uma população estimada em 214,2 milhões de habitantes. A decisão alcança inclusive quem ainda não tem idade para votar, mas já depende de creche, vacina, alimentação e escola pública.

Em 25 de outubro, 158,7 milhões de brasileiros poderão escolher o presidente que definirá, por quatro anos, o uso dos recursos públicos e as políticas de saúde, educação, infraestrutura e segurança. O texto defende que o eleitor avalie a trajetória dos candidatos, exija propostas claras, com metas e fontes de financiamento, e considere honestidade, capacidade administrativa e respeito à democracia. Destaca ainda a importância de fiscalizar o governo após a eleição.
Essa é a dimensão da responsabilidade. Ao escolher um presidente, o eleitor entrega a alguém o poder de propor o destino dos recursos públicos, estabelecer prioridades e conduzir políticas que chegam à mesa das famílias, às salas de aula, aos hospitais e ao ambiente de trabalho. O voto autoriza o exercício de um poder que precisa produzir resultados para toda a sociedade.

O dinheiro administrado pelo governo tem origem no esforço da população. Está no imposto descontado do salário, na compra do supermercado, na conta de energia, no combustível e na atividade de quem empreende. Mesmo quem ganha pouco e não apresenta declaração de Imposto de Renda contribui quando consome. Por isso, cada desperdício, desvio ou escolha malfeita retira possibilidades de atendimento a necessidades reais.

Um orçamento revela as prioridades de um governo com mais precisão do que um discurso. É nele que se percebe quanto compromisso existe com a saúde, a educação, o combate à fome, a habitação, o meio ambiente e a segurança. Prometer atenção a todas essas áreas é fácil. Governar exige definir metas, organizar equipes, distribuir recursos e explicar à sociedade o que será feito, em quanto tempo e com qual fonte de financiamento.

O eleitor tem o direito de exigir essas respostas antes de conceder o mandato. Quem promete melhorar o SUS precisa explicar como pretende ampliar o atendimento e reduzir a espera. Quem anuncia uma revolução na educação deve mostrar como vai apoiar professores, melhorar a aprendizagem e enfrentar a evasão. Quem promete combater a fome precisa apresentar caminhos para garantir alimentação e criar condições de trabalho e renda.

Também é necessário olhar além das medidas de efeito imediato. Rodovias, ferrovias, hidrovias, saneamento e produção de energia exigem planejamento e continuidade. Seus resultados podem ultrapassar um mandato, mas influenciam o preço dos produtos, a competitividade das empresas e a criação de empregos. O país precisa de dirigentes capazes de começar obras e políticas cujo maior benefício talvez apareça depois da próxima eleição.

Em Mato Grosso do Sul, essa discussão tem consequências concretas. A infraestrutura de transporte interessa a quem produz e a quem compra alimentos. A proteção do Pantanal envolve biodiversidade, água, turismo e atividades econômicas. A segurança na fronteira exige coordenação entre governos. São questões que precisam ocupar espaço na avaliação dos candidatos à Presidência, porque afetam diretamente a vida no Estado.

Escolher com responsabilidade exige examinar a trajetória de quem pede o voto. O que fez quando teve oportunidade de governar? Como tratou o dinheiro público? Que resultados entregou? Quem são seus aliados e quais interesses terão influência sobre suas decisões? Como reage à fiscalização, à crítica e aos limites do cargo? A campanha apresenta a versão que cada candidato deseja mostrar. Cabe ao eleitor confrontá-la com os fatos.

Honestidade, capacidade administrativa e respeito à democracia precisam ser considerados em conjunto. Um governo deve reunir pessoas preparadas, reconhecer problemas, corrigir decisões e prestar contas. O presidente terá de negociar com o Congresso e trabalhar com estados e municípios. Essa necessidade de articulação exige competência e transparência, para que acordos políticos possam ser avaliados pelo interesse público.

Nenhuma candidatura merece confiança sem cobrança. O entusiasmo com um nome não pode impedir a análise de seus erros, assim como a rejeição ao adversário não dispensa o exame das propostas de quem receberá o voto. É preciso desconfiar das soluções fáceis, verificar informações e cobrar a conta das promessas. Benefícios anunciados sem previsão de recursos podem terminar em frustração, endividamento e serviços ainda mais precários.

A responsabilidade do cidadão continuará depois da apuração. Acompanhar o orçamento, cobrar compromissos, fiscalizar obras e exigir explicações são formas de dar consequência ao voto. Quem vence recebe um mandato temporário e o dever de governar também para aqueles que fizeram outra escolha.

No domingo, o eleitor terá nas mãos uma parcela do futuro coletivo. Convém pensar em quem espera uma cirurgia, na criança que precisa aprender, na família sem moradia e no jovem que procura o primeiro emprego. É para essas vidas que o poder público precisa funcionar. A escolha merece a seriedade de quem sabe que, depois da festa da vitória, haverá um país inteiro esperando resultados.