Inquérito civil analisa provas de resistência e dinâmica do “Quarto Branco”, que teriam exposto participantes a riscos físicos e psicológicos.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu um inquérito civil para investigar possíveis práticas de tortura e tratamentos considerados desumanos no reality show Big Brother Brasil (BBB), exibido pela TV Globo. A investigação foi instaurada após denúncias relacionadas a provas e dinâmicas do programa que teriam colocado em risco a saúde e a integridade dos participantes.
O caso ganhou força depois de relatos envolvendo o ator Henri Castelli, que teria sofrido crises convulsivas durante uma prova de resistência realizada no programa. Segundo o MPF, o episódio levantou questionamentos sobre os limites das atividades impostas aos competidores.
Dinâmicas sob análise
Além da prova de resistência, os investigadores analisam a dinâmica conhecida como “Quarto Branco”, na qual participantes ficam isolados por períodos prolongados.
A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos enviou uma carta ao MPF afirmando que o formato dessa dinâmica apresentaria semelhanças com métodos de pressão psicológica utilizados durante o regime militar brasileiro.
Segundo o procurador regional adjunto dos Direitos do Cidadão, Julio Araujo, as condições impostas pelo programa podem expor os participantes a riscos desnecessários à saúde física e mental.
Defesa da emissora
Em resposta ao Ministério Público, a TV Globo afirmou que o reality mantém acompanhamento médico permanente durante todas as gravações. A emissora declarou ainda que Henri Castelli recebeu atendimento imediato e foi encaminhado para unidades de saúde externas em duas ocasiões.
A produção também argumenta que todos os participantes assinam contratos nos quais reconhecem previamente os desafios físicos e psicológicos envolvidos nas provas.
Questionamento jurídico
O MPF, no entanto, contestou essa justificativa e destacou que o consentimento contratual não autoriza a exposição a riscos severos nem a violação da dignidade humana.
Segundo o órgão, a investigação deve agora ouvir especialistas em medicina e direitos humanos para avaliar se as dinâmicas do programa ultrapassaram os limites legais da integridade física e psicológica dos participantes.
O inquérito segue em andamento e poderá resultar em novas medidas caso sejam identificadas irregularidades.












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