O promotor João Linhares Júnior, titular da 4ª Promotoria de Dourados, confirma a forte presença da facção PCC (Primeiro Comando da capital) na fronteira para dominar o tráfico e utilizar Mato Grosso do Sul como ponto de distribuição de drogas e armas para o país.
Somente em Dourados, segundo ele, cerca de 730 integrantes da facção cumprem pena na penitenciária estadual. Desde que as facções criminosas instalaram-se em Mato Grosso do Sul, o Ministério Público Estadual (MPE) iniciou investigações, com objetivo de combatê-las e inibi-las.
Têm sido constantes as ações de diversas promotorias de Justiça contra membros de organizações criminosas, sobretudo ao tráfico ilícito de substâncias entorpecentes, roubos, furtos e receptação de veículos automotores e de cargas.
Segundo João Linhares Júnior, faz anos que organizações criminosas como o PCC, Comando Vermelho (CV) e "Amigos dos Amigos" (ADA), mostram-se intensamente interessadas em comandar o mercado criminoso na área de fronteira com o Paraguai, sendo que, algumas vezes, mesmo sendo rivais, aliam entre si, para alcançar resultados de seus interesses.
Em 2009, o MPE, por meio da promotoria de João Linhares, e a Polícia Federal desencadearam a Operação Conexão 163 e conseguiram desvendar inúmeros tráficos de drogas e prender, de uma só vez, onze pessoas.
Naquela época o promotor constatou que os criminosos estavam ligados a facções e que o nível de atuação dos grupos e de instabilidade na fronteira seria elevado com o passar dos anos.
A morte do empresário e narcotraficante Jorge Rafaat, na semana passada em Pedro Juan Caballero, é prova que facções brasileiras querem comandar a cidade vizinha de Ponta Porã, considerada uma das que mais recebe cocaína da Bolívia e da Colômbia para distribuir para o Brasil. Paraguai é o maior produtor de maconha.
João Linhares explicita que a violência nessa região da fronteira aponta que especialmente o PCC está agindo para tomar todo o espectro criminoso e gerenciar completamente a dinâmica que envolve principalmente o tráfico de drogas, a partir do Paraguai, com passagem por Mato Grosso do Sul.
"Afigura-se urgente que o Estado (União, Estados e Municípios) consolide uma política de segurança pública para a fronteira que comporte, dentre outros pontos, gestão integrada, estrutura de inteligência ampla e moderna, troca de informações interagências, prevenção e investigação eficientes, pois, ‘não dá para ganhar a fórmula 1, correndo com um fusquinha’. Nesse sentido, a implantação do Sistema de Monitoramento da Fronteira (SISFRON), projeto que está em vias de implantação em Dourados e região pelo Exército Brasileiro, revela-se como um alento e como um novo paradigma de combate ao crime organizado", afirma Linhares.













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