Região faz parte de Área de Preservação Permanente e abriga fauna silvestre

Moradores denunciam lixão a céu aberto em área de preservação no Portal do Panamá
/ Foto: Moradores denunciam lixão a céu aberto em área de preservação no Portal do Panamá / Berlim Caldeirão

Moradores da região do Portal do Panamá, em Campo Grande, denunciam que o cruzamento das ruas Otávio Mangabeira e Manuel Augusto Dias tem se transformado em um lixão a céu aberto. Segundo relatos, pessoas de outros bairros estariam utilizando o local para descarte irregular de entulho, restos de móveis, roupas velhas, eletroeletrônicos e até carcaças de veículos. Há ainda denúncias de abandono de animais mortos e até filhotes deixados à própria sorte na área.

De acordo com os moradores, a situação revolta ainda mais porque há um ecoponto a poucos quarteirões do cruzamento, onde o descarte pode ser feito gratuitamente.

Eles afirmam que a Prefeitura já realizou limpezas no local anteriormente, mas o problema volta poucos dias depois.

Área de Preservação Permanente

O agravante é que o terreno faz parte de uma Área de Preservação Permanente (APP), conforme previsto no Código Florestal de 2012. A região abriga fauna silvestre, incluindo tamanduá-bandeira, araras, jaguatiricas, jacaré e serpentes como jibóias. No ano passado, inclusive, foi registrada a morte de uma jaguatirica atropelada na Avenida José Barbosa Rodrigues, via paralela à Rua Manuel Augusto Dias.

Moradores relatam que queimadas provocadas de forma criminosa durante o período de seca também são frequentes no local. Além de colocar em risco a vegetação, o fogo ameaça diretamente os animais que vivem na área.

Com o acúmulo de lixo e entulho, aumenta também a presença de animais peçonhentos, como escorpiões, aranhas e lacraias. Há relatos do aparecimento de cobras, inclusive coral, nas residências próximas.

Em um dos casos, uma jibóia foi encontrada dentro de uma casa. O morador conseguiu capturá-la e devolvê-la à área verde. Além do risco ambiental, os moradores temem pela saúde pública, já que o descarte irregular favorece a proliferação de insetos e outros vetores de doenças.

Falta de resposta

Segundo os denunciantes, ofícios já foram encaminhados à Prefeitura e aos responsáveis pela limpeza urbana. A resposta recebida, ainda no ano passado, foi de que existem outras áreas consideradas prioritárias no município. Sem previsão para nova limpeza e sem retorno mais detalhado do poder público, moradores se sentem abandonados.