Agora, ele realizará fisioterapias em casa com equipe multidisciplinar na esperança de retomar os movimentos

Militar tetraplégico recebe alta um dia após 1ª cirurgia com polilaminina em MS
Procedimento ocorreu na quarta-feira (21), no Hospital Militar de Campo Grande. / Foto: (Divulgação, Hospital Militar de CG)

Recebeu alta médica na quinta-feira (22) o militar tetraplégico de 19 anos que foi submetido a procedimento inédito em Mato Grosso do Sul para tentar retomar os movimentos. A cirurgia experimental com polilaminina, proteína extraída da placenta que estimula conexões nervosas, ocorreu na quarta-feira e foi considerada bem-sucedida. Agora, o jovem realizará fisioterapia em casa com equipe multidisciplinar.

O paciente segue sendo monitorado pela equipe médica do Hospital Militar de Campo Grande, com supervisão dos médicos-pesquisadores que conduzem o estudo com polilaminina na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), em parceria com o Laboratório Cristália. A pesquisa é autorizada pelas autoridades sanitárias e demonstra resultados promissores na recuperação de pacientes com esse tipo de lesão.

Antes do militar douradense, outros doze pacientes receberam o tratamento experimental. “Todos já tiveram melhorias até surpreendentes, não imaginávamos que seria tão rápido”, explica o neurocirurgião Bruno Cortez, do hospital fluminense Souza Aguiar. Para participar, o sul-mato-grossense contactou os pesquisadores e foi orientado a solicitar o tratamento compassivo por vias judiciais.


 

Não há garantia de que o paciente vai voltar a andar, mas há alta probabilidade de — ao menos — um retorno do movimento dos membros, o qual poderá oferecer uma qualidade de vida maior para o paciente. “Em todos os casos, houve melhora. Por exemplo, uma pessoa tetraplégica que precisa de ajuda para se alimentar, mas passa a conseguir pelo menos levar o alimento à boca, já tem um ganho grande”, afirma Cortez.

Também não existe um prazo pra ter resultado, mas, no caso mais famoso do estudo — do bancário Bruno Drummond de Freitas, que sofreu um acidente de carro em 2018 e teve uma lesão cervical grave —, o paciente mexeu os dedos do pé após três semanas, deu um passo após sete meses e passou a caminhar após um ano e meio. Agora, Bruno tem 98% dos movimentos de volta e corre até maratonas.