Contrato milionário, atuação invisível.

Milhões sem rastros: contrato ligado a Lewandowski desafia transparência pública no governo Lula


Apesar de um contrato de consultoria jurídica no valor de R$ 250 mil mensais, o escritório de advocacia ligado ao ex-ministro da Justiça Ricardo Lewandowski não aparece em nenhum processo judicial relacionado ao Banco Master, instituição financeira controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A informação, revelada pela jornalista Andreza Matais, levanta questionamentos sobre a real natureza dos serviços prestados e reforça o debate sobre conflito de interesses no alto escalão do governo Lula.

O contrato foi firmado com a Lewandowski Advocacia, escritório registrado formalmente em nome da esposa do ex-ministro, Yara de Abreu Lewandowski, e de seu filho, Enrique de Abreu Lewandowski. O acordo permaneceu vigente até setembro de 2025, abrangendo parte do período em que Ricardo Lewandowski ocupou o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública.

Apesar do valor expressivo, não há registro de atuação processual do escritório em ações judiciais envolvendo o Banco Master, Daniel Vorcaro ou empresas ligadas ao grupo financeiro. Tampouco há indícios de que Yara ou Enrique Lewandowski tenham assinado petições, pareceres ou participado formalmente de processos em nome da instituição.

Em nota, Ricardo Lewandowski confirmou a existência do contrato, afirmando que se tratava de serviços de “consultoria jurídica”. No entanto, o conteúdo prático dessa consultoria permanece pouco transparente. Não há registros públicos que indiquem atuação do escritório junto a órgãos do Poder Executivo, tampouco ações concretas que justifiquem a remuneração milionária paga mensalmente.

Levantamento de agendas oficiais mostra que, durante todo o período do contrato, apenas uma reunião envolvendo Enrique Lewandowski com autoridade pública foi registrada, em maio de 2024. Não há detalhes relevantes divulgados sobre o teor desse encontro nem sua relação direta com o Banco Master.

O caso reacende críticas recorrentes feitas por setores conservadores e independentes sobre a prática de contratos de consultoria opacos, frequentemente utilizados para driblar fiscalização, evitar registros formais de lobby e manter relações privilegiadas com o poder político. A situação ganha contornos ainda mais sensíveis por envolver um ex-ministro do Supremo Tribunal Federal que, após deixar a Corte, passou a ocupar posição estratégica no governo federal.

Enquanto o discurso oficial do governo Lula insiste na defesa da ética e da transparência, episódios como este reforçam a percepção de que, nos bastidores de Brasília, velhas práticas seguem operando sob novas justificativas, longe do escrutínio público e da cobrança institucional que deveria acompanhar contratos dessa magnitude.