Parlamentares e lideranças conservadoras acusam uso de recursos públicos e anunciam medidas na Justiça Eleitoral.
A homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado na noite de 15 de fevereiro na Marquês de Sapucaí, provocou reação imediata de lideranças da direita. Parlamentares e dirigentes partidários classificaram o evento como possível propaganda antecipada em ano eleitoral e questionaram o uso de recursos públicos na apresentação.
O enredo exaltou a trajetória política de Lula e apresentou o ex-presidente Jair Bolsonaro retratado como palhaço, com tornozeleira eletrônica e atrás das grades. O presidente assistiu ao desfile de um camarote e, em seguida, desceu à avenida acompanhado do prefeito do Rio, Eduardo Paes.
Michelle: “Isso é registro judicial, não opinião”
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou nas redes sociais um vídeo do momento em que Bolsonaro foi representado alegoricamente. Ao comentar a apresentação, escreveu: “Quem foi preso por corrupção foi Luiz Inácio Lula da Silva. Isso é registro judicial, não opinião”.
A manifestação foi uma das primeiras entre nomes do campo conservador a ganhar repercussão nas redes sociais.
Parlamentares falam em abuso de poder
O deputado federal Nikolas Ferreira afirmou que, se um desfile com teor semelhante tivesse ocorrido em 2022, quando Bolsonaro ainda era presidente, haveria reação judicial imediata. Em publicação, declarou: “Se esse desfile fosse em 2022: Bolsonaro estaria preso, busca e apreensão no PL, apreensão no barracão da escola, apreensão dos carros alegóricos e o inelegibilidade vitalícia”.
Já o senador Flávio Bolsonaro divulgou um vídeo produzido com uso de inteligência artificial criticando o presidente e afirmou: “Diferente do desfile eleitoral do Lula, esse vídeo não usou dinheiro dos impostos”. A postagem foi compartilhada por outros parlamentares, como o deputado Gustavo Gayer.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, também publicou conteúdo crítico ao desfile, mencionando casos de corrupção associados aos governos petistas e cobrando promessas de campanha.
Novo anuncia ação eleitoral
O ex-secretário de Comunicação da Presidência no governo Bolsonaro, Fábio Wajngarten, classificou o desfile como “vergonhoso” e afirmou que pretende acionar a Justiça Eleitoral. A deputada Caroline De Toni declarou que o evento configura “autopromoção” e “uso da máquina pública”.
O presidente nacional do Partido Novo, Eduardo Ribeiro, anunciou que a sigla deve protocolar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) para pedir a cassação do registro de candidatura e a inelegibilidade de Lula assim que houver formalização da candidatura.
Judiciário não barrou desfile
Partidos e lideranças conservadoras recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral, ao Tribunal de Contas da União e à Justiça comum para tentar impedir a apresentação em ano eleitoral. No entanto, não houve decisão favorável à suspensão do desfile.











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