Menino que morreu após saga em UPA é lembrado por alegria, sensibilidade e amor

Menino que morreu após saga em UPA é lembrado por alegria, sensibilidade e amor

Alegria, sensibilidade e amor: essas são as palavras que definem João Guilherme Jorge Pires, de 9 anos. Ele morreu na terça-feira (7) após passar por diversos atendimentos médicos em unidades de saúde de Campo Grande.

João Guilherme estava com um ferimento no joelho e passou por exames de raio-x, mas somente na quarta ida à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) foi detectada a lesão. A mãe afirma que o filho não recebeu o atendimento médico adequado, pois não foram feitos exames para verificar as dores que João estava se queixando.

Nas redes sociais, foi publicado um comunicado sobre o falecimento do menino, que era aluno de um coral. “João Guilherme deixa entre nós lembranças marcadas por sua alegria, sensibilidade e amor pela música, tocando o coração de colegas, professores e de toda a comunidade da Fundação”, publicou a Fundação Ueze Zahran.


 

Amigos e colegas de coral expressaram a tristeza ao saber da partida precoce do menino. “Que sua memória permaneça viva através da música e dos momentos que tivemos a alegria de compartilhar”, finaliza o texto.

Descaso foi denunciado à polícia
De acordo com o boletim de ocorrência, o menino caiu na quinta-feira (2) e foi levado para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Tiradentes, onde passou por consulta, fez um raio-x e foi liberado com uma receita para dipirona e ibuprofeno. A mãe relatou que ele não apresentava lesão na perna esquerda, mas sentia dor.

No dia seguinte, a mãe notou que João não estava bem e levou o filho para a UPA do bairro Universitário, onde passou por consulta novamente e foi liberado com receita para a mesma medicação de quinta-feira (2).

Já no sábado (4), o menino foi levado novamente para a UPA do Universitário, passou por consulta e recebeu uma injeção. Naquele dia, a mãe contou que o filho estava com bastante dor no peito e a médica que o atendeu teria dito que seria apenas ansiedade e liberou a criança.

A mãe retornou a UPA na tarde de domingo (5), ocasião em que João ficou em observação e foi submetido a outro raio-x. O exame teria apontado que o joelho esquerdo do menino estava com uma lesão e ele foi liberado para que, na segunda-feira (6), fizesse a tala na Santa Casa.

Assim, a mãe levou a criança para o hospital na segunda (6), onde foi feita a tala na perna esquerda e João liberado. No mesmo dia, ele passou mal e desmaiou, momento em que a mãe percebeu que o filho estava roxo, principalmente as pernas.

A situação ficou preocupante e a família levou o menino para a UPA do Universitário, onde ele chegou desacordado e foi recepcionado por uma mulher, que seria enfermeira. Os funcionários da unidade teria dito que não havia médico na UPA, mas colocaram João em uma maca e começaram a reanimá-lo.

Na ocasião, a equipe teria colocado oxigênio, entubado o menino e o encaminhado para a Santa Casa. No hospital, ele foi reanimado novamente e não resistiu.