O ministro André Mendonça elevou o tom do confronto com Alexandre de Moraes dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) ao solicitar ao presidente da Corte, Edson Fachin, acesso integral aos autos do inquérito das fake news.
O pedido faz parte da manifestação apresentada por Mendonça em resposta à representação de Moraes, que havia solicitado a investigação do colega por supostas irregularidades relacionadas aos casos Banco Master e INSS.
Para Mendonça, o acesso completo aos autos é necessário para verificar se existem outros elementos utilizados contra sua atuação além dos relatórios de inteligência da Polícia Federal citados na representação. O ministro considera a medida “imprescindível” para que possa examinar de maneira ampla o conteúdo e a origem das informações que embasaram as acusações.
A solicitação ganha peso porque o inquérito das fake news permaneceu durante mais de sete anos sob condução de Moraes. Em setembro, Fachin retirou a representação contra Mendonça do âmbito do inquérito e também retirou Moraes da relatoria da investigação, em meio à escalada da crise entre os ministros.
O confronto inicialmente concentrado na condução das apurações do Banco Master e das fraudes no INSS passou a envolver também os métodos utilizados durante a tramitação do inquérito das fake news.
Moraes havia apresentado a Fachin uma representação contra Mendonça, apontando supostos abusos e irregularidades na condução de procedimentos relacionados aos dois casos. A iniciativa foi encaminhada dentro do próprio inquérito das fake news antes de Fachin determinar que o pedido fosse analisado fora daquele procedimento.
Na resposta, Mendonça não apenas rejeita as acusações como procura ampliar o campo de análise. O ministro quer ter acesso ao conjunto dos autos para verificar se há outros elementos que possam ter sido utilizados para sustentar as acusações feitas contra ele.
A estratégia coloca o conteúdo e a condução histórica do inquérito sob novo escrutínio institucional.
Outro ponto fundamental da manifestação é a contestação ao uso de relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal.
Mendonça afirma que esses documentos não possuem, por si mesmos, valor probatório e questiona sua utilização como fundamento para acusações contra um ministro do Supremo. A discussão se tornou um dos principais pontos de divergência entre os dois magistrados.
Moraes, por sua vez, reconheceu que relatórios de inteligência não constituem provas, mas sustentou que podem servir como instrumentos para a obtenção posterior de elementos probatórios. A diferença está, portanto, no peso atribuído ao material durante a fase de investigação.
A manifestação de Mendonça procura justamente esclarecer se os documentos utilizados contra ele foram suficientes para justificar a representação apresentada ao presidente do STF.
A solicitação também reacende o debate sobre os limites e a forma de condução do inquérito das fake news, instaurado em 2019 e conduzido por Moraes durante mais de sete anos.
Fachin já havia defendido o encerramento do procedimento e, posteriormente, retirou Moraes da relatoria. A decisão ocorreu em meio à crise interna provocada pela troca de acusações entre ministros e por divergências relacionadas aos procedimentos do caso Banco Master.
O pedido de Mendonça acrescenta uma nova dimensão à controvérsia: além de contestar especificamente os documentos apresentados contra ele, o ministro pretende examinar o conjunto do inquérito para verificar se existem outros elementos relacionados à sua atuação.
Na prática, a medida amplia o alcance da discussão sobre um procedimento que permaneceu durante anos sob sigilo e cuja condução passou a ser alvo de questionamentos dentro do próprio Supremo.
A decisão sobre o acesso aos autos caberá a Edson Fachin, que assumiu a condução institucional dos desdobramentos da crise entre Moraes e Mendonça.
O presidente do STF já retirou a representação contra Mendonça do inquérito das fake news e sinalizou que pretende tratar o conflito sem precipitação, mas também sem deixar de analisar os questionamentos apresentados pelos ministros.
A disputa agora envolve três questões principais: a validade e o alcance dos relatórios de inteligência utilizados contra Mendonça, a regularidade da representação apresentada por Moraes e o conteúdo de um inquérito que esteve durante anos sob sua condução.
Enquanto Mendonça busca acesso integral aos autos para conhecer todos os elementos relacionados às acusações, Moraes sustenta a existência de fundamentos para questionar a atuação do colega. O resultado da análise de Fachin deverá determinar os próximos passos de uma crise que deixou de ser apenas uma divergência entre dois ministros e passou a expor, de forma pública, diferentes interpretações dentro do próprio STF sobre investigação, sigilo, inteligência policial e utilização de informações contra integrantes da Corte.













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