Katia da Silva Sastre foi eleita deputada federal por São Paulo com 264.013 votos.

Mãe de assaltante morto processa PM por usar cena da morte na campanha eleitoral
Momento em que a policial reage ao assalto. / Foto: Reprodução

A cozinheira Regiane Neves da Silva Ferrari, mãe do jovem morto durante uma tentativa de assalto em maio deste ano, entrou com um processo contra a policial que o matou por usar as imagens da câmera de segurança em sua campanha eleitoral.

De acordo com a agência Folhapress a mãe do jovem não questiona a ação da policial, mas sim o uso das imagens diariamente em sua campanha eleitoral.

“Ao exibir a cena na propaganda eleitoral, dia após dia, ela me torturou e à minha família de um modo terrível”, afirma a cozinheira.

A mãe cobra R$ 477 mil na ação (o equivalente a 500 salários mínimos). No vídeo usado na campanha, após as imagens da ação, a PM afirma que atirou e atiraria de novo. “Tenho coragem”, afirmava a candidata no vídeo.

“Quando dizia que matou e que mataria de novo, eu pensava que era a mim que ela estava querendo matar”, relata a cozinheira. “Afinal, meu filho já está morto, eu que estava sofrendo na frente da TV.”

Regina afirma que foi diagnosticada com depressão e atualmente vive à base de remédios. “O que ela fez foi um absurdo”, relata a mãe. “Toda vez que a cena aparecia na TV, meus netos gritavam: ‘vó, estão matando o Zoca de novo, venha ver'”.

O caso

A cabo da PM (Polícia Militar) de São Paulo, Kátia Sastre, de 42 anos, foi eleita para o cargo de deputada federal por São Paulo, ela conquistou 264 mil votos e foi a sétima candidata mais votada do estado.

Kátia ficou conhecida em maio deste ano. Ela atirou em um assaltante que tentava roubar pessoas em frente uma escola infantil na capital paulista.

A ação da policial foi gravada por câmeras de segurança que flagraram o momento da abordagem, ela estava em frente a escola onde sua filha de sete anos estuda, à paisana, quando percebeu o assalto reagiu. A PM atirou contra Elivelton Neves Moreira, de 21 anos, que não resistiu aos ferimentos e morreu.

O caso ganhou grande repercussão nacional, na época, Kátia chegou a receber uma homenagem do então governador de São Paulo, Márcio França (PSB).