Lideranças denunciam violência na Reserva de Dourados e pedem base permanente de proteção; ministro Eloy Terena diz que vai acionar governo estadual

Lideranças denunciam violência na Reserva de Dourados e pedem base permanente de proteção; ministro Eloy Terena diz que vai acionar governo estadual

Lideranças da Reserva Indígena de Dourados aproveitaram a visita do ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, nesta sexta-feira (3), para reivindicar melhorias na segurança pública de toda a região. O pedido foi unânime entre os representantes das comunidades, que relataram um cenário considerado crítico.

O vice-cacique da aldeia Jaguapiru, Jacir Freitas, afirmou haver um avanço da violência na região. Em desabafo, ele descreveu o medo constante vivido pelos moradores e teve um mal-estar após sua fala.

Diante das cobranças, a Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) afirmou que já tinha conhecimento da demanda por segurança. A presidenta do órgão, Lúcia Alberta Baré, disse que a instituição atua na articulação com outros órgãos, mas reforçou que não tem poder direto de policiamento.


 

“A Funai não é órgão de segurança, mas trabalha para que essas ações aconteçam. Com atuação conjunta, é possível mudar esse cenário”, afirmou.

Uma das possibilidades discutidas é a criação de uma base operacional de defesa na região, nos moldes das que já existem na Amazônia. A proposta ainda será analisada pelo governo federal como alternativa para ampliar a presença do Estado nas aldeias.

O ministro Eloy Terena reconheceu a gravidade das denúncias e afirmou que a segurança pública será tratada em articulação com o governo estadual. “Vamos dialogar com o governo do estado, que tem a responsabilidade inicial pela segurança”, disse. Ele também confirmou que a adaptação de modelos de proteção territorial está em estudo para a realidade de Dourados.

Durante a agenda, o ministro destacou que a presença do governo federal deve ser ampliada na região. “Já nos reunimos com a coordenação regional da Funai e vamos trabalhar para ampliar recursos, orçamento e equipes. Onde a Funai está, o ministério também está presente”, afirmou.

A cobrança por segurança ocorre em meio a uma crise mais ampla enfrentada pelas comunidades indígenas de Dourados, que também vivem uma emergência sanitária com o avanço da chikungunya.