Peças têm diferentes simbologias e podem esconder imitações.

Lanterna ajuda a identificar pedras falsas e cristais revelam significados
Bruxo Ryan mostra diferenças entre pedras naturais, tingidas e produzidas em laboratório. / Foto: Luiz Danizete

Pedra da lua, olho de tigre, quartzo-rosa, obsidiana e ametista. Nas feiras e lojas especializadas, opções não faltam, mas escolher uma delas pode virar uma confusão para quem conhece pouco sobre cristais. Além dos diferentes significados atribuídos a cada pedra, peças tingidas e materiais produzidos em laboratório podem ser vendidos como se fossem cristais naturais.

Renan Moraes Veron, conhecido como Bruxo Ryan, ensina a diferenciar cristais naturais de pedras tingidas ou sintéticas. Uma dica é usar a lanterna do celular: uma ágata tingida de verde perde a cor e fica marrom. A pedra da lua natural também brilha menos que a artificial. Ele recomenda ainda conhecer a procedência, pois há garimpos clandestinos, danos ambientais e trabalho escravo. Os significados atribuídos aos cristais pertencem a práticas esotéricas e não têm comprovação científica.
Renan Moraes Veron, conhecido como Bruxo Ryan, explica que uma das maneiras mais simples de observar algumas alterações está no bolso de praticamente todo mundo: a lanterna do celular. Durante a entrevista, ele mostra uma ágata tingida de verde que, à primeira vista, poderia ser confundida com quartzo-verde.

“Uma boa dica para quem está começando é, quando for comprar o seu cristal, pegar ele e colocar na lanterna do celular. À primeira vista, você vai achar que ele é um quartzo-verde, mas, quando coloca aqui, ele perde toda a coloração e se torna marrom. Ou seja, essa é uma ágata tingida de verde”, explica.

Ryan também chama atenção para pedras sintéticas ou modificadas para ficarem mais atraentes. Um dos exemplos apresentados é a pedra da lua. Ele compara uma peça de aparência mais brilhante, produzida artificialmente, com uma pedra da lua natural, visualmente mais discreta. “A verdadeira pedra da lua não tem esse brilho todo”, afirma.

Além de saber o que está comprando, Ryan recomenda conhecer a procedência dos cristais. Para ele, a escolha também deve levar em consideração a forma como o mineral chegou até o consumidor, diante da possibilidade de extração irregular e dos impactos ambientais e sociais envolvidos na atividade.

O que cada pedra significa? - Parte da procura pelos cristais está relacionada aos significados atribuídos a eles em práticas esotéricas. Essas propriedades fazem parte de crenças e tradições e não correspondem a efeitos médicos ou cientificamente comprovados.

Entre as pedras apresentadas por Ryan está o olho de tigre, associado à proteção, ao afastamento da inveja e à visibilidade. Segundo ele, algumas pessoas também carregam a pedra em situações nas quais precisam falar em público. “É uma pedra que traz brilho. Se você vai palestrar, leva uma no bolso, porque você atrai o interesse das pessoas para aquilo que está falando”, explica.

Outra apresentada é a chamada vassoura de bruxa, à qual Ryan atribui funções de limpeza e proteção energética. A turmalina negra também aparece entre as pedras procuradas por quem busca esse significado.

Já a obsidiana negra é relacionada por ele à proteção, ao inconsciente e à ancestralidade. Dentro de determinadas práticas espirituais, também é usada em rituais relacionados à adivinhação e às visões. Ryan mostra, inclusive, um espelho artesanal feito com obsidiana.

Cuidados ao comprar - Para quem está começando a conhecer esse universo, a principal orientação do Bruxo Ryan é não escolher apenas pela aparência. Saber se a pedra é natural, sintética ou tingida e conhecer sua procedência são passos que, segundo ele, ajudam a evitar que o consumidor leve para casa algo diferente daquilo que imaginava estar comprando.

“É muito importante, quando você compra o cristal, ter essa responsabilidade de saber de onde ele veio e se foi trazido de uma forma responsável. Às vezes você acha bonito, quer uma coisa para trazer energia para casa, mas por trás disso existe muito contrabando".

Além de observar se a pedra é natural, tingida ou sintética, Ryan alerta para a importância de conhecer sua procedência. Segundo ele, a cadeia de extração pode esconder problemas ambientais e sociais. “Existem muitos garimpos clandestinos. Muitas pessoas acabam degradando a natureza justamente para ter isso que nós temos hoje”, afirma.

O bruxo também chama atenção para as condições de quem trabalha na retirada dos minerais. “Tem também pessoas que morrem por conta das explosões e pessoas que são exploradas, até mesmo com trabalhos escravos”.

Por isso, ele defende que a escolha não seja feita apenas pela beleza ou pelo significado atribuído ao cristal. “É muito importante, quando você compra o cristal, ter essa responsabilidade de saber de onde ele veio, se foi trazido para nós de uma forma responsável”.