Ex-prefeito de Campo Grande foi denunciado por homicídio qualificado e porte ilegal de arma

Justiça pede laudos e documentos de casa em que Bernal matou fiscal

A Justiça deu prazo para que o MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul), o Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) e a CGP-MS (Coordenadoria-Geral de Perícias de MS) apresentem laudos e documentos relativos ao homicídio do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos.

Em 24 de março, o ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal matou o servidor público com dois tiros. Ele está preso desde então. Na semana passada, a 19ª Promotoria de Justiça denunciou o político e advogado pelos crimes de homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo.

Em despacho assinado na tarde de segunda-feira (13), o juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, determinou que o MP apresente documentos para esclarecer a situação da casa em que houve o crime.


 

Mazzini havia arrematado o imóvel em um leilão da Caixa Econômica Federal, após Bernal perdê-lo por dívidas de financiamento. O magistrado ainda solicitou que o Cartório do 2º Ofício de Campo Grande envie cópia da escritura em cinco dias.

Além disso, o Imol (Instituto de Medicina e Odontologia Legal) e o ICHM (Instituto de Criminalística Hercílio Macellaro) devem apresentar eventuais laudos pendentes também em cinco dias. Por fim, Garcete ainda requereu que o advogado Tiago Martinho apresente procuração da família do fiscal tributário para atuar como assistente de acusação. 

Ex-prefeito é denunciado por homicídio
A 19ª Promotoria de Justiça de Campo Grande denunciou o ex-prefeito Alcides Bernal pelo homicídio qualificado do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini e porte ilegal de arma de fogo. O político e advogado está preso desde a data do crime, 24 de março de 2026.

Na denúncia, os promotores Lívia Carla Guadanhim Bariani e José Arturo Bobadilla Garcia lembram que Mazzini, de 60 anos, havia adquirido a casa de Bernal, no Jardim dos Estados, em um leilão da Caixa Econômica Federal, e foi ao local tomar posse do imóvel, junto de um chaveiro.

“O crime foi cometido por motivo torpe, visto que o denunciado agiu impelido pelo sentimento de vingança, mais precisamente porque não aceitava a perda do imóvel para a vítima e ainda acreditava ter direito sobre ele. Assim, decidiu ceifar-lhe a vida. Dada a repugnância da motivação do crime, caracterizada está a qualificadora”, escreveram os membros do MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul).

Assim, o político foi denunciado por homicídio qualificado por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa, contra vítima maior de 60 anos; e também por porte ilegal de arma de fogo.

Bernal preso por assassinato
O crime aconteceu em uma casa que pertenceu a Bernal, mas foi arrematada em um leilão por Mazzini, no ano passado. Na tarde de 24 de março, Roberto foi até lá, na presença de um chaveiro, a fim de tomar posse do imóvel, mas foi alvejado por ao menos dois tiros, que atingiram a região da costela, transfixando, e a dorsal da vítima.

O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 14h; eles realizaram, por cerca de 25 minutos, manobras de reanimação, mas o servidor não resistiu e morreu.

Após o crime, o ex-prefeito se entregou na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro. Já o chaveiro, que presenciou o assassinato, foi encaminhado para o Cepol (Centro Integrado de Polícia Especializada).