O pedido da defesa de liberdade provisória ou de prisão domiciliar foi negado no último dia 20 de julho pelo juiz federal Bruno Cezar da Cunha.

Justiça nega liberdade a esposa e filha de PM que comandavam execuções do PCC

A Justiça Federal negou liberdade a esposa e a filha do Policial Militar presos durante a operação ‘Laços de Família’ deflagrada pela PF (Polícia Federal), em 25 de junho deste ano. A quadrilha era chefiada pelo PM da cidade de Mundo Novo, sendo que a mulher e filha tinham participação ativa dentro da organização criminosa.

O pedido da defesa de liberdade provisória ou de prisão domiciliar foi negado no último dia 20 de julho pelo juiz federal Bruno Cezar da Cunha.

Em seu despacho, ele teria concordado com o MPF (Ministério Público Federal) sobre o risco iminente de fuga das autoras para o Paraguai, já que as mesmas teriam uma residência no país vizinho, além de ‘laços concretos com integrantes da organização no Paraguai’.

Segundo a denúncia do MPF as duas mulheres integravam o núcleo central da organização criminosa fazendo negociações com traficantes de vários estados, sendo que em julho de 2017 a filha do policial teria feito uma viagem para a região do nordeste brasileiro para resolver questões pendentes de créditos com traficantes.

Ainda de acordo com a denúncia, a filha do policial militar também comandava execuções de pessoas suspeitas pela morte de seu irmão. As execuções faziam parte da ligação que a família tinha com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Estas execuções contavam com policiais aliados, pistoleiros e a aquisição de armamento.

Durante a deflagração da operação quinze integrantes da quadrilha foram presos no Estado. A base da organização ficava em Mundo Novo, onde foram presas 13 pessoas. As outras duas prisões aconteceram em Naviraí e em Eldorado.

Foi descoberto que a organização criminosa tinha laços estreitos com a facção criminosa PCC e que usava ao menos 10 empresas de fachada para a lavagem de dinheiro.

Vida de Luxo

A família de Mundo Novo, que teria o PM como chefe da quadrilha no Estado, ostentava uma vida de luxo incompatível com os salários. O militar tinha uma Ferrari avaliada em R$ 500 mil, além de outros carros de luxo, e fazia viagens para o exterior com toda a família.

Apartamentos, casas, sítios e fazendas também faziam parte do patrimônio da família do narcotráfico. Na cidade todos tinham medo da quadrilha e um dos integrantes responde processo por homicídio.

Apreensões

A PF (Polícia Federal) estima que, antes da operação, já tinha provocado um prejuízo de R$ 61 milhões à família com apreensões de drogas, joias, dinheiro e bens móveis e imóveis. Foram apreendidos R$ 310 mil para pagamentos de drogas, R$ 80 mil em joias, cinco embarcações, sendo quatro iates. Desde 2016, quando as investigações começaram, foram apreendidas 27 toneladas de maconha, duas pistolas e duas camionetes.