Enquanto aguardava maca para esperar a vaga no setor de oncologia, o idoso ficou deitado no banco do carro; agora, ele estava no corredor do HRMS

Justiça manda transferir paciente com câncer, mas família denuncia falta de leito em Campo Grande
/ Foto: A família classificou a situação como 'desumana' / Repórter Top

Um idoso de 75 anos com câncer no fígado aguarda transferência para um hospital com atendimento oncológico em Campo Grande após uma decisão judicial determinar que o município providencie vaga adequada com urgência. A família afirma que ele permanece em um corredor hospitalar, sem leito, mesmo após ordem da Justiça.

Segundo relato da filha, encaminhado para o TopMídiaNews, o paciente saiu de Nova Alvorada do Sul no dia 8 de fevereiro e foi levado para a UPA Aparecida Gonçalves Saraiva Universitário, onde ficou internado desde o dia 9 aguardando vaga para tratamento em oncologia. O quadro clínico, conforme a família, é de câncer no fígado com tumor de cerca de 4 centímetros e necessidade de início imediato de tratamento especializado.

Diante da demora, os familiares acionaram a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso do Sul, que ingressou com pedido de tutela de urgência. A decisão judicial determinou que o Município de Campo Grande providenciasse, em até 24 horas, a transferência do paciente para uma unidade capaz de realizar avaliação e tratamento oncológico. Caso não houvesse vaga na rede pública, o poder público deveria custear integralmente o atendimento em hospital privado. Foi fixada multa diária de R$ 10 mil em caso de descumprimento, limitada inicialmente a 30 dias.

Na noite de quinta-feira (12), ainda de acordo com a família, a equipe da UPA informou que teria surgido vaga para o paciente no (Hospital Regional de Mato Grosso do Sul).

“Próximo de vencer o prazo, nos mandaram ir de carro próprio alegando que não tinham ambulância para realizar o transporte. Ao chegar no HRMS, fomos informados pelas equipes que não tinham leito e nem vagas disponíveis para ele. Os médicos detalharam que a prefeitura faz essas ‘transferências’ para cumprir a ordem judicial e não pagar a multa”, afirmou a neta do idoso.

Sem maca disponível, ele precisou pernoitar deitado no banco do carro da família enquanto aguardava. Apenas hoje (13), que uma maca foi disponibilizada e ele está no corredor da unidade de saúde, situação que a família classifica como desumana.

Por conta do seu estado de saúde, que tem se agravado rapidamente, foi solicitado que o isso fosse encaminhado para o Hospital de Câncer Alfredo Abrão, referência em oncologia na Capital.

A reportagem procurou a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) para comentar o cumprimento da decisão judicial, a disponibilidade de leitos e o transporte do paciente, mas não havia recebido resposta até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestações futuras.