A intervenção judicial não estancou a crise sem fim da Santa Casa de Campo Grande, maior hospital do Centro-Oeste.
A intervenção judicial não estancou a crise sem fim da Santa Casa de Campo Grande, maior hospital do Centro-Oeste. Com 600 leitos, o hospital quer limitar o atendimento apenas à emergência e as áreas de referência e fechar leitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A medida mais radical é a transferência de pacientes internados para outros hospitais, como ocorreu com cinco crianças a espera de cirurgia cardíaca, que foram enviadas para São Paulo e Paraná.
As decisões drásticas, que devem entrar em vigor nesta sexta-feira (16), foram anunciadas pelo interventor Luiz Alberto Kanamura, nomeado pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos.
Com salário de R$ 46,3 mil, semelhante ao valor pago a um deputado federal, o médico informou que não tem como resolver o problema do hospital sem mais dinheiro, mesma reclamação da diretoria afastada pela Justiça.
De acordo com Kanamura, a dívida soma R$ 810 milhões. O passivo circulante é de R$ 180 milhões. O déficit mensal gira em torno de R$ 20 milhões, considerando-se que a receita está em R$ 35 milhões, enquanto a despesa soma R$ 54 milhões. Sem receber há meses, médicos de várias especialidades comunicaram ao Ministério Público Estadual de que vão deixar de atender na instituição.
Além disso, a Santa Casa sofre com a falta de insumos e medicamentos para atender os pacientes internados. Por isso, a direção nomeada pela Justiça quer transferir pacientes internados para outros hospitais. Como faltam vagas na Capital e no interior, a necessidade de transferir pacientes vai exigir um verdadeiro “milagre” das autoridades.
Meta é reduzir em 80%
Kanamura afirmou que não houve acordo para elevar o repasse durante reunião conduzida pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan com os secretários de Saúde do município, Marcelo Vilela, e do Estado, Maurício Soares Corrêa. Os dois teriam determinado que o hospital se adequasse ao orçamento.
Como a intervenção foi decidida pelo juiz Eduardo Lacerda Trevisan com o apoio dos dois secretários, Kanamura decidiu cumprir a missão. Ele disse que o objetivo é restringir o atendimento as especialidades em que o hospital é referência estadual, como politraumatismo, neurocirurgia, neurologia clínica, cardiologia, cirurgia vascular, ortopedia e queimados.
Outra medida drástica é restringir o atendimento apenas aos casos de emergência, que exige atendimento imediato, e urgência, em até 12h. O interventor deixou claro que vai receber os pacientes encaminhados pela central de regulação. Isso pode representar que o número de atendimentos no pronto socorro pode ter redução de 80%, de 110 para 22 pacientes por dia.
Por outro lado, a Santa Casa estaria disposta a ampliar o atendimento particular para tentar fazer caixa, apesar do SUS responder por 80% da receita do hospital.
As medidas colocam em xeque a segunda intervenção feita em 109 anos do hospital. A primeira foi feita pela Prefeitura em 2005, virou judicial e só terminou em, 2013. No entanto, o saldo foi maior endividamento e sem resolver a crise financeira da Santa Casa.
A nova intervenção, feita pelo Poder Judiciário, mostram que o hospital depende do poder público e a população, inclusive mais abastada, pode pagar caro pela crise sem fim no maior hospital do Estado.













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