Saída de capital estrangeiro, incertezas eleitorais e cenário fiscal pressionaram a bolsa brasileira nesta sexta-feira (14).

Ibovespa cai pelo 9º pregão seguido e fecha aos 166,9 mil pontos
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O Ibovespa encerrou esta sexta-feira (14) em queda de 0,10%, aos 166.934,20 pontos, e completou a nona sessão consecutiva no campo negativo. Enquanto isso, o dólar à vista avançou 0,52% e terminou as negociações cotado a R$ 5,21.

Na avaliação de Josias Bento, especialista em mercado de capitais e sócio da GT Capital, a saída de recursos estrangeiros ajuda a explicar a sequência negativa da bolsa brasileira.

“Acredito que isso acontece, principalmente, porque o gringo segue tirando dinheiro da nossa bolsa e voltando para mercados mais maduros, como os EUA, por exemplo, com alocações mais voltadas para o mercado de tecnologia e Inteligência Artificial”, afirma.

Além disso, Bento aponta que as eleições presidenciais e as dúvidas sobre o cenário fiscal aumentam a volatilidade no mercado doméstico. Segundo ele, a falta de um plano de contingência para os próximos anos também pesa sobre os ativos brasileiros.

Com isso, o Ibovespa se aproximou novamente dos níveis registrados no início de 2026. O especialista lembra que o índice começou janeiro perto dos 160 mil pontos e chegou a se aproximar dos 200 mil pontos em fevereiro.

“Se eu puder resumir, dá para dizer que os EUA estão caros, mas com força e boas oportunidades, e o Brasil está barato, mas não tem um estímulo à vista que possa fazer o Ibovespa sair dessa situação”, avalia.

Dólar sobe e juros futuros avançam
 
O dólar também terminou mais uma sessão em alta. Para Bento, o movimento reforça a percepção de saída de capital estrangeiro do Brasil e de maior aversão ao risco em mercados emergentes.

Ao mesmo tempo, os juros futuros avançaram. Segundo o especialista, o mercado ainda reage às incertezas sobre as eleições e o quadro fiscal. Além disso, a alta do petróleo no fim da tarde aumentou as preocupações com possíveis pressões inflacionárias.

Bento também destaca que a revisão de recomendação do JPMorgan para o Brasil influenciou o pregão. O banco reduziu sua avaliação do país de compra para neutra, movimento que, segundo ele, intensificou a saída de recursos e a abertura da curva de juros.

Minerva e Suzano avançam
Entre os destaques positivos do pregão, Minerva (BEEF3) e Suzano (SUZB3) registraram altas.

As ações da Minerva reagiram aos números do segundo trimestre de 2026. A companhia apresentou receita recorde e reduziu a alavancagem líquida para 2,9 vezes o Ebitda.

“Isso mostra a resiliência da companhia por estar operando em um mercado com juros altos”, afirma Bento.

Já a Suzano ganhou força após apresentar seus resultados trimestrais. Na visão do analista, a forte geração de caixa compensou alguns pontos menos favoráveis do balanço. Por outro lado, a alavancagem subiu para 3,4 vezes o Ebitda, ante 3,3 vezes no primeiro trimestre.

Braskem e Yduqs ficam entre as maiores quedas
Na ponta negativa, Braskem (BRKM5) e Yduqs (YDUQ3) ficaram entre os destaques.

Mesmo após divulgar números acima de parte das expectativas e reverter o prejuízo registrado no mesmo período do ano anterior, a Braskem continua pressionada pelas incertezas sobre sua situação financeira.

“O mercado ainda não enxerga uma luz no fim do túnel”, diz Bento.
Já a Yduqs enfrentou forte volatilidade e passou por sucessivos leilões durante a manhã. A companhia informou lucro cerca de 50% menor na comparação anual, além de um ritmo de crescimento abaixo das expectativas do mercado.

Segundo Bento, o ambiente de juros elevados continua limitando o desempenho da empresa na bolsa.

IBC-Br entra no radar para a próxima semana
Para o especialista, a bolsa brasileira atravessa um período de baixa liquidez, o que aumenta a volatilidade dos ativos. Agora, os investidores voltam as atenções para a divulgação do IBC-Br na próxima segunda-feira.

Na avaliação de Bento, o indicador pode funcionar como um novo catalisador para o mercado. No entanto, uma leitura que mostre maior resiliência da economia pode pressionar novamente o Ibovespa, caso aumente as expectativas de manutenção dos juros em níveis elevados por mais tempo.