Delegado acredita que ele tinha medo de ser preso ou morto pelo marido da vítima, que foi preso por tráfico de drogas.

Homem que confessou ter matado mãe de criação queria dinheiro para fugir para o Paraguai
Ricardo Ferreira foi preso suspeito de matar a mãe de criação / Foto: Vitor Santana/G1

O homem que confessou ter matado a mãe de criação, Sônia Maria de Passos, de 49 anos, queria roubá-la para fugir para o Paraguai, segundo investigações da Polícia Civil. Para a corporação, Ricardo Ferreira Vidotto Azevedo, de 30 anos, tinha medo de ser preso ou morto após a prisão do marido da vítima por tráfico de drogas.

O crime aconteceu no dia 11 de fevereiro deste ano, em Goiânia. Em um vídeo divulgado pela polícia, o suspeito confessa que matou a mulher estrangulada e com um corte no pescoço.

"Acreditamos que o Ricardo participava de uma quadrilha de tráfico de drogas junto com o Nelson Ribas, marido da Sônia, e que foi preso no início deste ano. O Ricardo temia que o Nelson achasse que ele que tinha o denunciado para a polícia e o matasse. Por isso ele quis fugir e precisava de dinheiro", explicou o delegado responsável pelo caso, Francisco Lipari.

Em seu depoimento, Ricardo disse que esperava encontrar mais dinheiro na casa da mãe de criação. Como não encontrou, pegou correntes de ouro, televisores e o carro da vítima e fugiu.

"Inicialmente ele foi para Pedra Preta, no Mato Grosso, onde mora a mãe biológica dele. Depois ele fugiu para um assentamento em Jaciara, no mesmo estado, onde ele encontrado e preso no dia 24 de junho", disse o delegado.

Ricardo vai responder pelo crime de latrocínio. A pena para esse crime varia de 20 a 30 anos. Ele está preso temporariamente no Complexo Prisional Odenir Guimarães, em Aparecida de Goiânia.
 

Depoimento
 
Ricardo confessou o crime em um depoimento gravado pela Polícia Civil. No vídeo, o preso conta que já havia tentado cometer o crime outras duas vezes, mas não teve coragem. Na versão dele, sua esposa o incentivava a cometer o crime, mas a Polícia Civil acredita que ela não teve envolvimento.

“Dessa vez eu entrei, a gente conversou. Tirei coragem para não decepcionar a Alessandra [esposa], para não voltar, porque era a última opção. A gente precisava de dinheiro. Aí eu a ataquei. Ela me perguntou porque eu estava fazendo aquilo e eu falei para ela: ‘Porque a senhora e o tio querem matar eu e a Alessandra’. Ela falou: ‘Não é você’. Mas depois que eu comecei, eu não podia voltar atrás”, contou.

Ainda na confissão, o homem conta que, primeiro, golpeou a vítima com uma tesoura atingindo-a na costela, depois a estrangulou e, por fim, cortou o pescoço dela. Após matar a mulher, ele pegou os itens da casa.

“Eu arrastei [o corpo dela] para o banheiro, porque eu não aguentava ficar olhando para ela ali. [...] Naquele momento, eu matei uma pessoa que eu gostava e matei a mim mesmo, entende? Aí eu terminei de fazer o resto das coisas que eu precisava por dinheiro. Fui onde eles guardavam dinheiro, mas não tinha. Peguei as correntes de ouro, o que tinha de ouro eu peguei. Peguei a televisão, um som que tinha lá, coloquei no carro, fechei as portas”, afirmou.