Morador da Chácara Recanto conta que se impressionou ao avistar o animal saindo da mata.
Dia 4 de março, segunda-feira pela manhã. Celso Renan, de 11 anos, que reside na Chácara Recanto, próxima ao Assentamento Monjolinho, em Anastácio, havia levantado da cama e se arrumado normalmente para ir à escola, como faz cotidianamente.
O garoto partiu para o ponto de ônibus à espera da condução. Seria mais um dia trivial, não fossem os barulhos que começou a escutar, próximos à mata. Segundo ele, pareciam vindos de um cachorrinho latindo. O estudante subiu na tábua do ponto. Foi então que se surpreendeu com a visão.
“Um tempo depois, apareceu a cara da onça dali do meio do mato. Ela ficou bem próxima de mim, ela saiu do mato e ficou ali do meu lado”, relatou à reportagem do jornal O Pantaneiro, entre uma e outra ‘cuiada’ de tereré. Esse encontro inusitado certamente ficará para contar história.
Menino relembra encontro com onça-pintada, entre cuiadas de tereré, bem no estilo pantaneiro. Foto: Francis Leone
De acordo com o garoto Celso Renan, a presença do animal silvestre o fez observá-la durante um tempo, numa interação mútua e respeitosa. Ele descreve calmamente sua reação, sem esboçar medo ou pavor de ter passado por essa experiência. “Ela ficou parada me olhando, chamando a mãe dela, meio que miando. Eu acho que era filhote, porque era meio pequena e bem magrinha”, relembra.
Onças na região
O pai do garoto, Wellington de Matos, de 35 anos, complementa que na região aparecem muitos animais silvestres. “A gente já presenciou outra onça aqui perto, inclusive ela tinha comido um bezerrinho, pois estava com a barriga cheia e tinha carniça perto”, conta.
Wellington afirma que não mexeu com o animal e ele, por sua vez, correu na direção oposta, para o pasto, e desapareceu. “Fora isso, outro animal mais perigoso que passou por aqui foi um ‘lobão’, certa vez, perto da casa. Mas passou e também foi embora, não ofereceu risco não”.
Para ele, o fato de não haver cachorros bravos latindo na chácara e de não perturbar a passagem dos animais faz com que a convivência entre vida selvagem e vida urbana possa ser possível de conciliar. “Os animais chegam aqui perto porque parece que sabem que a gente não mexe. Eles passam e vão embora, seguem seu destino”, finalizou.
E se você topasse com uma onça, o que faria?
Animal bastante avistado na região do Pantanal Sul-Mato-Grossense, a onça-pintada é um animal temido, mas ao mesmo tempo admirado e muito importante para manter a integridade do ecossistema da região.
A Prefeitura de Corumbá produziu, em parceria com o Prevfogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais, órgão vinculado ao Ibama), uma cartilha de como proceder, caso a pessoa se depare com uma onça-pintada em perímetro urbano.
Considerada em extinção e protegida por Lei, o animal pode causar pânico à primeira vista, mas conforme a cartilha, com alguns cuidados e atitudes corretas, é possível evitar ataques indesejados e acidentes.













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