Neno Razuk é acusado de usar a violência, por meio de roubos e até assassinato dos adversários. No entanto, o MPE não apontou nenhum homicídio.
O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) denunciou o deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), 47 anos, o pai, Roberto Razuk, 84, e os irmãos, Rafael Godoy Razuk, 45, e Jorge Razuk Neto, 49, por organização criminosa armada, exploração ilegal do jogo do bicho e lavagem de capitais. No total, 20 alvos da 4ª fase da Operação Successione foram denunciados à Justiça.
O deputado bolsonarista já foi condenado a 16 anos de reclusão e detenção por integrar organização criminosa, três assaltos a mão armada e exploração do jogo do bicho. A sentença é do juiz José Henrique Kaster Franco, da 4ª Vara Criminal de Campo Grande, que vai analisar a nova denúncia.
O parlamentar foi denunciado novamente por lavagem de dinheiro e por manter a organização criminosa apesar da ofensiva do Gaeco, deflagrada há dois anos, em 5 de dezembro de 2023 com a 1ª fase da Operação Successione.
“Tem-se por certo que a organização criminosa se mantém ativa e atuante, malgrado a operação deflagrada com a prisão de parte da OrCrim, seguida de denúncia que desencadeou ação penal já em fase decisória, de modo a desafiar o ordenamento jurídico e o Poder Público com toda sorte de conduta ilícita visando seu principal objetivo: estabelecer o monopólio do jogo do bicho em Campo Grande, bem como manter o jogo do bicho em funcionamento em outras cidades do Estado, notadamente em Dourados e Região”, afirmou o Gaeco.
A denúncia foi protocolada no dia 10 de dezembro deste ano e é assinada pelos promotores Gerson Eduardo de Araújo, Antenor Ferreira de Rezende Neto, Tiago Di Giulio Freire e Moisés Casarotto. Além da prisão, a família Razuk e o empresário Marcelo Tadeu Cabral, 55, podem ser condenados a pagar R$ 36 milhões. Eles também podem perder os R$ 274,9 mil em espécie os US$ 1.065 (em moeda estrangeira) apreendidos no dia 25 de novembro deste ano, quando houve a deflagração da 4ª fase da Operação Successione.
Em várias cidades de MS e expansão para outros estados
O Gaeco destacou que a organização criminosa comandada pela família Razuk decidiu assumir o controle da jogatina em Campo Grande após a Operação Omertà, que levou ao declínio do império de Jamil Name. Só que a ofensiva se deparou com o grupo paulista MTS, que assumiu o jogo do bicho na Capital.
Neno Razuk é acusado de usar a violência, por meio de roubos e até assassinato dos adversários. No entanto, o MPE não apontou nenhum homicídio.
“E mais, a investigação demonstra categoricamente que a organização criminosa se mantém em plena atuação, mesmo após a deflagração da Operação Successione, inclusive, mantendo e aumentando a abrangência criminosa dentro de Mato Grosso do Sul, com seus tentáculos alcançando também outras cidades do Estado, além de contar com ainda mais integrantes que não tinham sido identificados, mas que atuam diretamente nas atividades criminosas ligadas à jogatina ilegal”, apontaram os promotores.
“A atuação de cada um dos denunciados no crime de integrar organização criminosa armada liderada por ROBERTO RAZUK e seus filhos, bem como a prática de infrações penais em prol do grupo, entre as quais lavagem de capitais e corrupção ativa, além da exploração de jogos de azar, principalmente jogo do bicho, será exposta minuciosamente abaixo”, pontuam. A ação penal tem 566 páginas.
Crimes em série
“Integravam pessoalmente a organização criminosa liderada por ROBERTO RAZUK e seus filhos ROBERTO RAZUK FILHO (‘NENO RAZUK’), JORGE RAZUK NETO e RAFAEL GODOY RAZUK, que é estruturalmente ordenada e com divisão, ainda que informal, de tarefas, cujo objetivo é obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais diversas, em especial a exploração de jogos de azar (jogo do bicho, caça-níqueis etc.), corrupções, violação de sigilo funcional, lavagem de capitais, roubos, entre outras”, apontaram.
“Nesse ponto, não é demais lembrar que a família RAZUK, sempre passando pela figura do patriarca ROBERTO RAZUK, é conhecida há décadas pela exploração ilegal do jogo do bicho, em especial na cidade de Dourados/MS, onde encontra base eleitoral (um dos líderes, ROBERTO RAZUK FILHO, é Deputado Estadual, e a mãe, Délia Razuk, ex-prefeita da cidade) e expertise nas negociatas ilícitas e crimes correlatos”, destacaram, citando a Operação Xeque Mate, deflagrada pela Polícia Federal em 2007.
“Tamanha é a predominância da família RAZUK sobre a jogatina da cidade douradense que, não por outro motivo, pai e filhos vêm buscando monopolizar o jogo do bicho agora também em Campo Grande, como cabalmente demonstrado ao longo da investigação que compõe a chamada Operação Successione”, destacaram.
Os denunciados
Os promotores denunciaram 20 pessoas por integrar a organização criminosa:
Roberto Razuk, 84 anos
Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk, 47
Rafael Godoy Razuk, 45
Jorge Razuk Neto, 49
Gilberto Luís dos Santos, o Coronel, major da PM, 58
Sérgio Donizete Balthazar, 53
Flávio Henrique Espíndola Figueiredo, 36
Jonathan Gimenez Grance, 34
Samuel Ozório Júnior, 48
Odair da Silva Machado, 49
Gerson Chahuan Tobji, 48
Marco Aurélio Horta, 44
Paulo Roberto Franco Ferreira, 54
Anderson Alberto Gauna, 35
Willian Ribeiro de Oliveira, 60
Marcelo Tadeu Cabral, 55
Jean Cardoso Cavalini, 43
Paulo do Carmo Sgrinholi, 57
Rhiad Abdulahad, 34
Willian Augusto Lopes Sgrinholi, 38.











Olá, deixe seu comentário!Logar-se!