Retrospectiva de 2025 elaborada pela Climatempo reforça que o clima passou a ter papel central no planejamento e na gestão de riscos.

 Extremos climáticos já fazem parte da rotina dos brasileiros, aponta estudo
Extremos climáticos já fazem parte da rotina dos brasileiros, aponta estudo. / Foto: Jorge Schneid/Via Defesa Civil do RS

O panorama climático de 2025 foi marcado por contrastes extremos e eventos de alto impacto em várias regiões do Brasil. Conforme a Retrospectiva Climática 2025 da Climatempo, o ano reuniu episódios recorrentes de frio intenso, ondas de calor fora do padrão, ventos fortes e fenômenos severos, incluindo ciclones extratropicais e tornados, que se distribuíram ao longo dos meses e deixaram registros históricos.

O levantamento da Climatempo, elaborado com base no monitoramento contínuo da atmosfera e na catalogação de ocorrências que afetaram o país, aponta para um cenário cada vez mais desafiador. Diversos episódios ao longo do calendário ilustram esse contexto. Relembre os principais:

Linha do tempo dos principais marcos de 2025
 
Fim de maio: início das massas polares mais intensas do ano
Junho: chuvas extremas e inundações no RS (16–20/06)
Fim de julho: ventania forte em SP + ressaca no litoral do RJ
Setembro (21–22): rajadas fortes na capital paulista e >100 km/h em Santos
Outubro (20/10): SP registra 11,2°C, frio histórico para outubro
Novembro (07/11): tornado F4 em Rio Bonito do Iguaçu (PR)
Novembro (23/11): granizo severo em Erechim (RS) e São Manuel (SP)
Dezembro (8–10/12): ciclone extratropical no Sul + rajadas históricas (Congonhas 96,3 km/h)
Dezembro (28/12): SP registra 37,2 °C, recorde para dezembro
De acordo com o meteorologista Vinícius Lucyrio, da Climatempo, o comportamento observado ao longo do ano evidencia "que o clima passou a ter papel central no planejamento e na gestão de riscos". Para ele, a repetição de extremos, como frio acentuado, calor recorde e tempestades com vento e chuva intensa, mostra que esses eventos já fazem parte da rotina dos brasileiros.

No fim de maio, o avanço das massas de ar polar mais intensas deu início a um período prolongado de temperaturas baixas. Em junho, o Rio Grande do Sul enfrentou chuvas volumosas e persistentes, com alagamentos e inundações entre os dias 16 e 20. Já no fim de julho, ventos fortes atingiram o estado de São Paulo, enquanto o litoral do Rio de Janeiro registrou ressaca.

No início da primavera, novas ocorrências de vento chamaram atenção. Entre os dias 21 e 22 de setembro, rajadas intensas atingiram a capital paulista, enquanto Santos superou a marca de 100 km/h. Em outubro, um episódio de frio fora de época se destacou: São Paulo registrou 11,2°C no dia 20, a menor temperatura para o mês em mais de uma década.

Novembro foi marcado por eventos severos localizados. Um tornado classificado como F4 atingiu Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, no dia 7, associado à atuação de supercélulas durante a formação de um ciclone extratropical. Poucos dias depois, em 23 de novembro, tempestades com granizo causaram prejuízos em cidades do Rio Grande do Sul e do interior paulista.

O mês de dezembro concentrou novos extremos. Entre os dias 8 e 10, a formação de um ciclone extratropical no Sul do país provocou ventos intensos, com rajadas consideradas históricas em aeroportos e áreas urbanas, como em Congonhas. Pouco depois, no dia 28, a cidade de São Paulo registrou 37,2°C, estabelecendo um recorde de calor para dezembro. Segundo a Climatempo, a sequência desses episódios ilustra como um mesmo ano pode reunir extremos opostos de temperatura.

Além disso, o comportamento das chuvas fugiu do padrão em diversas áreas do país. A Climatempo destaca volumes elevados no Nordeste, especialmente na Bahia, em meses que normalmente não apresentam grandes acumulados. Na Região Norte, a persistência das precipitações dificultou a configuração do chamado “verão amazônico”, alterando o regime climático típico da região.