As exportações brasileiras para a Venezuela desabaram de 3 bilhões de dólares em 2015 para apenas 750 milhões de dólares acumulados até outubro de 2025.
A pauta comercial sofreu uma degradação qualitativa: as carnes perderam espaço para o milho e o açúcar, refletindo a queda drástica do poder aquisitivo das famílias venezuelanas.
Segundo a Datagro, a retomada do comércio bilateral em 2026 depende de investimentos no setor de petróleo para reativar o consumo e a demanda por produtos de maior valor agregado.
As exportações brasileiras para a Venezuela recuaram de forma significativa ao longo da última década, refletindo a deterioração econômica do país. Para analisar esse movimento e suas perspectivas, o programa Pré Market conversou com Plínio Nastari, presidente da Datagro, que explicou os fatores por trás da queda e os possíveis caminhos para uma retomada do comércio bilateral.
“Infelizmente, o regime ditatorial – primeiro de Chávez e, mais recentemente, de Maduro – infligiu uma crise muito grande na Venezuela, fazendo com que o consumo das famílias caísse bastante”, afirmou Nastari, ao comentar o impacto da perda de renda da população sobre as importações do país vizinho.
“Em 2015, o Brasil exportava para a Venezuela cerca de US$ 3 bilhões por ano. Já em 2025, acumulados até outubro, foram apenas US$ 750 milhões”, disse. Em 2024, segundo ele, o volume chegou a US$ 1,2 bilhão, ainda distante dos níveis observados antes da crise.
Nastari explicou que, nesse período, a pauta comercial também mudou. As carnes praticamente deixaram de ser exportadas, enquanto o milho passou a liderar as vendas, embora em volumes considerados baixos quando comparados à produção brasileira total.
“O milho é hoje o principal produto exportado pelo Brasil para a Venezuela, mas em volume muito pequeno”, afirmou. Ele acrescentou que o açúcar aparece como o segundo item da pauta, também com participação limitada.
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Para o executivo, um eventual aumento dos investimentos produtivos na Venezuela, especialmente no setor de petróleo, pode reativar o consumo e ampliar novamente o comércio regional. Segundo ele, esse movimento tende a beneficiar países vizinhos, independentemente de alinhamentos políticos.
“O Brasil tem totais condições de retomar esse comércio de forma mais intensa, inclusive em produtos de maior valor agregado”, disse Nastari, ao avaliar que o país possui excedentes exportáveis superiores aos de outros parceiros da região.











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