No dia 20 de fevereiro de 2019 a mídia local dava em manchetes uma informação que sacudiu as esferas empresariais e políticas de Mato Grosso do Sul.

“Era Longen” cai fundo no poço cavado pela falta de transparência na gestão

Era a notícia sobre a decisão do juiz federal César Arthur Cavalcanti de Carvalho, da 4ª Vara Federal de Recife (PE), determinando o bloqueio de bens e a quebra de sigilo bancário do presidente da Fiems (Federação das Indústrias), Sérgio Longen, no processo investigativo da Operação Fantoche, que incluiu mais de 40 buscas e apreensões.

Aquela operação dava sequência à apuração de crimes praticados contra a administração pública, fraudes licitatórias, associação criminosa e lavagem de ativos, segundo as notícias. Longen estava entre 60 pessoas que ou tiveram o sigilo bancário quebrado ou seus bens bloqueados em até R$ 400 milhões, valor do prejuízo calculado pela operação aos cofres públicos nos superfaturamentos. Longen estava no segundo caso.

Os agentes da operação cumpriram mandados na sede da Fiems e num apartamento de luxo, um antigo endereço de Longen. O esquema sob investigação envolvia atividades de empresas controladas por uma única família desde 2002. A matéria-prima das ações suspeitas eram os contratos e convênios entre o chamado Sistema S – Sesi, Senai e Instituto Evaldo Lodi (IEL) – e o Ministério do Turismo. O TCU prestou apoio total à operação.

TRANPARÊNCIA ZERO – Este fato vem reforçar as suspeitas criadas pela própria Fiems em seus quase 20 anos sob mando de Longen, além de atestar o flagrante negacionismo da gestão ante critérios éticos e jurídicos indispensáveis, entre os quais a transparência. A fiscalização de entidades privadas que trabalham com acesso e uso de recursos públicos (contribuições parafiscais) cabe principalmente ao Tribunal de Contas da União (TCU).

A ele estão subordinados, na jurisdicação fiscalizatória, os órgãos do Sistema S. O Tribunal fiscaliza a utilização de recursos compulsórios repassados aos componentes das federações, como o Sesi e o Senai. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) define as regras e fiscaliza a prestação de contas do Sistema S. Além disso, as federações têm os seus próprios colegiados fiscais e de ética.

Neste contexto, instalam-se os questionamentos plausíveis, como a falta de transparência sobre o gigantesco poder financeiro e políticos do Sistema Fiems, que no cenário industrial sulmatogrossense, com impulso do Sesi, Senai e IEL, movimentou mais de R$ 100 bilhões. As atividades da indústria estadual, representada pela Federação, bateram recorde no ano passado, com exportações que passaram dos US$ 7,8 bilhões (R$

PARCERIA – As dúvidas que aprofundam as suspeitas sobre a Fiems da era Longen ganharam maior dimensão quando ele e o vice-presidente da entidade, seu amigo e parceiro Luiz Gonzaga Crosara Jr, caíram na mira do Ministério Público Estadual (MPE). A 31ª Promotoria de Justiça do Patrimônio Público e Social apura supostas irregularidades em contratos milionários que superam os R$ 2 milhões, movimentados por meio de contratos com da Federação empresas diferentes, mas de um único dono.

Além do Ministério Público, estão de olhos bem abertos para este universo suspeito o Tribunal de Contas, deputados estaduais, vereadores, imprensa e expressivas e atenta parcela da opinião pública. Afinal, uma instituição de renome e representação assinalada pelo poder econômico e político, opera grandes fortunas canalizadas de cofres públicos e que, antes de tudo, deveriam ser divulgadas quanto à sua utilização.