Dólar opera em alta e a Bolsa brasileira inicia a semana em queda, nos primeiros negócios após os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, no fim de semana.

Dólar sobe e Bolsa cai com ataques dos EUA ao Irã, ouro e petróleo em alta
Mercados de câmbio e de ações o Brasil reagem negativamente após escalada do conflito no Oriente Médio.

Os agentes do mercado brasileiro reagem às incertezas provocadas pelo conflito que impacta diretamente a mais importante região produtora de petróleo, que disparou a busca por ativos considerados mais seguros.
O que aconteceu

Dólar opera em alta. A moeda americana começou a sessão cotada no comercial para a venda a R$ 5,159, variação de 0,46% ante o fechamento de sexta-feira. A tendência permanecia à tarde, com a valorização atingindo 1,03%, com a divisa estadunidense valendo R$ 5,187.

Na máxima do dia, o dólar foi negociado a R$ 5,214 (+1,55%).

Moeda americana vem de ciclo de desvalorização. Após recuar 0,1% na sexta-feira, o dólar fechou fevereiro com desvalorização de 1,54%, considerando a Ptax. No ano, a baixa é de 6,4%, e, em 12 meses, de 7,2%.

Tradicionalmente a tendência é que a gente tenha um aumento da aversão a risco por conta até dessa incerteza geopolítica que já não é pequena no mundo. Esse ambiente é ruim para o mercado de ações, com investidores buscando migrar para ativos considerados mais seguros, como moedas de refúgio, caso do dólar, franco suíço e iene, metais preciosos, como ouro, e títulos de renda fixa de alguns governos, como Treasuries (títulos do Tesouro dos Estados Unidos) e, eventualmente na Bolsa, para setores defensivos. Assim, esse movimento acaba afetando moedas de economias emergentes.
William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue

Preço do petróleo testou máximas desde julho de 2024. Desde a retomada dos negócios no mercado internacional, na noite de ontem (pelo horário de Brasília), os contratos futuros do barril registram valorização firme. Por volta das 14h, o contrato do tipo Brent negociado em Londres para entrega em abril subia 6,3%, a US$ 77,48, após bater picos de US$ 82,37 (+13%), enquanto o WTI para abril subia 5,7%, para US$ 70,81 o barril, após registrar máximas de US$ 75,33 (+12%).

Quando um ataque direto dos Estados Unidos ao Irã eleva o risco de escalada no Oriente Médio, o mercado reage primeiro pela incerteza e depois pelo impacto potencial sobre energia e inflação. O salto imediato do petróleo e a volatilidade nas bolsas globais mostram que o investidor passa a precificar risco geopolítico, não apenas fundamentos econômicos.
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos

Ouro testa patamares recordes. Em meio à busca por ativos considerados mais seguros, o contrato do ouro para abril para 100 onças troy (31,1 gramas) varia mais 1,3%, a US$ 5.315, por volta das 14h.

Ibovespa opera em queda. Após abrir em baixa, seguindo a tendência do exterior, o principal índice de ações da Bolsa do Brasil B3 seguiu com viés negativo, mas sem aprofundar a tendência. Por volta da 14h, cedia 0,16%, para 188.417 pontos, após mínima de 186.637 (- 1,14%).

Começamos a semana com o nível de aversão a risco bastante evidente em diferentes praças ao redor do globo, inclusive aqui no Brasil na abertura. Matheus Spiess, economista da Empiricus